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29 de jun de 2012

BIDI – 2 – 29 de junho de 2012

Mensagem publicada em 1 de julho, pelo site AUTRES DIMENSIONS.

Áudio da Mensagem em Francês

Link para download: clique aqui


Questão: nesse contexto, o que quer dizer o Absoluto, como vivê-lo?

Aí está o exemplo típico (e eu nada tenho contra você) de alguém que nada leu do que eu disse.
Nada se pode dizer do Absoluto.
Não é um contexto, nem um conceito.
Nada – absolutamente nada – se pode dizer sobre o Absoluto, uma vez que, justamente, ele é Desconhecido.
Portanto, querer dele fazer uma abordagem de compreensão intelectual, mental ou imaginada nada quer dizer.

É o mental que coloca essa questão.
O mental não pode aproximar-se, nem mesmo imaginar o que quer que seja concernente ao Absoluto.
O próprio princípio do Absoluto é, justamente, refutar tudo o que é conhecido.
Nada pode ser explicado – dado – sobre o Absoluto.
Querer fazer dele uma compreensão nada quer dizer.
Do mesmo modo, não existe qualquer meio para dar-lhe – para explicar-lhe – concernente a como viver o Absoluto, porque o como implica, necessariamente, uma compreensão (um mecanismo intelectual de preensão, de abordagem), o que é impossível.
Eu a engajo, portanto, a reler tudo o que eu pude dizer e, mesmo, em meu texto de introdução.

Qualquer vontade de compreensão do Absoluto é fadada ao fracasso, uma vez que ele lhes é Desconhecido.
O Absoluto não pode ser exprimido em palavras, porque é o que vocês São.
Portanto, querer viver o que você É é um disparate, uma vez que você o É, de toda a Eternidade.

O mental coloca esse gênero de questão porque ele é persuadido de que vai poder apropriar-se do Absoluto e vivê-lo.
Mas, justamente, é na ausência de compreensão, no desaparecimento da interrogação do próprio mental, no desaparecimento da compreensão (ou da lógica que é, também, o desaparecimento da própria pessoa) que o Absoluto É.

Eu não posso, portanto, aportar qualquer resposta à sua questão.
Seria presunçoso crer – ou esperar – que uma definição do que é o Absoluto fosse possível.
Do mesmo modo que não existe qualquer técnica, qualquer meio de viver o Absoluto colocando esse gênero de questão.
Apenas refutando tudo o que é conhecido, ou seja: você não é esse corpo, você não é esses pensamentos, você não é essa vida, você não é esse mundo, deixando fazer o que há a fazer sobre esse mundo, que o Absoluto É.

Nenhuma emoção, nenhuma imagem, nenhum símbolo, nenhum imaginário, nenhum sonho, nenhuma projeção é de qualquer utilidade para ser Absoluto.
Bem ao contrário.
Desembarace-se de tudo isso.
Apenas quando você está desembaraçada de tudo o que recobre o que você É – ou seja, o Absoluto – é que o Absoluto É.

O Absoluto é Desconhecido.
É o que eu dizia no início.

Imaginemos – e isso é fácil – que você me diga que não sabe o que é o ar.
Mas você vive no ar.
Guardadas as proporções, é exatamente o mesmo princípio.
Enquanto você faz disso uma projeção (do Absoluto), jamais ele poderá ser para você.
E, no entanto, ele está aí.

O olhar exterior, a compreensão, a projeção em um sistema de conhecimentos – qualquer que seja – não pode dar-lhe esse acesso.
Ele não existe, simplesmente.
Apenas quando tudo o que é ligado à sua pessoa, ao seu «Eu», ao seu Si não existe mais, calou-se, é que o Absoluto está aí.
Qualquer palavra que eu poderia dar-lhe do Absoluto faria apenas afastar-se dele.
Apenas nos momentos em que o «Eu» desaparece, em que o Si desaparece, inteiramente (isso foi chamado o Abandono do Si), é o momento em que você se libera, totalmente, de tudo o que lhe é conhecido (de todos os seus condicionamentos, de todos os seus reflexos, de todas as suas crenças, de todas as suas ilusões, nesse corpo, nessa vida e nessa consciência não existem mais) é que o Absoluto É.
Não antes.

Portanto, como você pode imaginar servir-se de sua própria consciência, de sua própria inteligência, de sua própria compreensão para ser Absoluto?
É impossível.
Enquanto essa diligência existe (quer vocês a nomeiem psicológica, espiritual ou outra), vocês trapaceiam a si mesmos.
Enquanto vocês jogam o jogo da consciência, vocês não podem ser Absoluto, uma vez que o Absoluto É, justamente, tudo, exceto uma consciência, tudo, exceto uma compreensão, tudo, exceto o que pode ser-lhes conhecido.

Não há, portanto, qualquer meio, qualquer possibilidade de responder, também, a esse gênero de questão.
Eu a convido, portanto, a reler, atentamente, já, as respostas que eu pude dar.
O Absoluto já está aí.
É a consciência que, justamente, põe fim ao Absoluto.
O Absoluto é a-consciência.
O Absoluto nem mesmo é supraconsciência.
A supraconsciência poderia ser a fase pré-final.

Mas o Absoluto não é uma fase, nem uma etapa.
É além de toda possibilidade da consciência.
Você quereria fazer de algo que é Ilimitado, um limitado que você possa apreender-se.
Mas nada há a apreender.
Ao contrário.
Você deve desapreender-se de tudo, sem qualquer exceção, viver esse caos, essa morte, essa superação de todos os medos, não por uma ação qualquer, mas, efetivamente, pela observação de tudo o que deve morrer, porque efêmero.
Passar pelas Portas da Dissolução.

O que lhes foi chamado de Onda de Vida, que chega a alguns lugares do corpo ilusório e que lhes faz explodir na cara o caos, a negação, a vontade de deixar perdurar o Si, por orgulho espiritual, por medo da morte, por medo muito pequeno.
É isso que deve ser visto.
Quando isso é visto, o Absoluto não é mais um problema, não é uma busca, não é algo a encontrar.

O ponto de vista muda e vocês percebem que o Absoluto sempre esteve aí.
Mas, enquanto vocês estão localizados em um corpo, em um Si, em uma história, em um apego (qualquer que seja), vocês não podem Ser Absoluto.
E, no entanto, é, já, o que vocês São.
Mas o ego impede-os disso.
O Si também.
Vocês devem aceitar morrer.
Isso foi nomeada a Crucificação, a Ressurreição.

É preciso tudo perder, para ser Tudo.
Enquanto você se tem no que quer que seja (sua consciência, esse corpo, o Si, seus chacras, seu Kundalini, sei lá o que mais), você trapaceia a si mesmo.
Você se limita, a si mesmo.
Você continua no conhecido.
Você continua no possível, no circunscrito e, em momento algum, o ponto de vista muda.
O olhar é o mesmo, vestido com outros Véus, outras ilusões.

Você não pode conhecer o que você É.
Você apenas pode Sê-lo.
Conhecer recorre à consciência.
É a cessação da consciência – em uma localização, em um espaço e em um tempo, em uma história e em um corpo, em um mental, como em uma Alma ou como em um Espírito – que Realiza.
Enquanto resta o que quer que seja do que eu acabo de descrever, o Absoluto continua afastado de você e, no entanto, é o que você É, além de toda história, de todo corpo.

O ego existe apenas pela falta ligada ao efêmero.
O Absoluto põe fim à compartimentação, põe fim à localização, põe fim a toda Ilusão, a toda crença, a todo Si, a todo «Eu».
No entanto, o saco de alimento continua.
Mas você não é mais identificado a ele.
Não como crença, mas, efetivamente, pela experiência direta.

Ora, essa experiência direta não pode ser vivida enquanto exista a mínima identificação ao que quer que seja, ou seja, enquanto exista a mínima projeção.
Ora, a consciência é projeção, tanto no «Eu» como no Si.
A consciência é movimento (quer esse movimento seja fragmentário, no «Eu», como muito mais amplo) que dá acesso a um Ilimitado do Si, chamado, pomposamente, Despertar.
Mas se vocês estão aí, é que vocês estão, já, Despertados.
Nada há a Realizar que já não esteja Realizado.
É o ego que crê nisso, o Si que crê nisso.
É a pior das armadilhas, porque isso os leva a manter projeções constantes, a crerem-se Infinitos, em uma busca infinita.

O Absoluto não é isso.
É, justamente, a parada de toda projeção, de toda consciência, de toda localização, de todo o tempo e de todo o espaço e de toda Dimensão.
Será que isso quer dizer, contudo, que tudo o que eu acabo de enumerar desaparece?
Ver a cebola, em sua totalidade, com suas primeiras cascas, será que isso quer dizer que o núcleo da cebola, ao centro, não está mais?
É uma mudança de olhar.
Mas o ego não a aceitará, jamais.
E o Si, ainda menos.
Porque tanto quanto o «Eu» tem-se ao «Eu», do mesmo modo o Si tem-se ao Si.
Mas, enquanto vocês se têm ao que quer que seja, vocês não são Livres.

Então, é claro, o ego vai sussurrar-lhes que vocês estão encarnados.
O Si vai sussurrar-lhes que vocês têm uma evolução espiritual.
O «Eu» vai dizer-lhes que vocês têm obrigações.
O Si vai dizer-lhes que vocês têm uma responsabilidade espiritual.
Mas tudo isso é conhecido e arquiconhecido, e não concerne, em nada, ao Absoluto.
Vocês devem passar ao outro lado, ao mesmo tempo sabendo que não existe qualquer ponto de passagem, exceto pela morte de tudo o que eu acabo de nomear.

Não é uma viagem: é a parada da viagem.
Crer que há uma viagem afasta-os do Absoluto.
Enquanto vocês correm atrás de um Kundalini, enquanto vocês correm atrás de um chacra, enquanto correm atrás do que quer que seja, vocês se enganam.
É o medo que os faz crer que vocês têm algo a procurar e a encontrar.

Enquanto o medo está aí, vocês continuam no «Eu» e no Si, no medo por esse corpo, no medo por uma evolução espiritual, por um carma que não existe.
Vocês continuam nas camadas inferiores.
Seu ponto de vista não pode mudar.
Tudo o que se desenrola no «Eu», tudo o que se desenrola no Si é, obviamente, inscrito no Absoluto, mas não é o Absoluto, porque tudo isso lhes é conhecido ou cognoscível.

Vocês devem renascer, virgens e novos.
Não é porque não há mais programa, não é porque não há mais sistema que tudo desapareceu.
É um problema de configuração, de olhar e de ponto de vista.

Enquanto vocês não tenham soltado tudo, abandonado tudo, o Absoluto não está aí para vocês, enquanto ele está sempre aí.
Por mais que vocês tenham tudo abandonado, na carne, tenham se colocado em uma montanha, meditado durante milhares de anos, isso nada mudará ali.
Vocês acreditarão chegar a algum lugar e não apreenderão que não há lugar algum aonde chegar.
Vocês continuarão a manter e a criar cenas de teatro, peças novas, a construir outros teatros e a tomar isso pela realidade, pelo real, pela única verdade.

Vocês não estão ali.
Vocês devem soltar tudo.
Isso se chama o Abandono do Si.
Lembrem-se de que o Absoluto não pode ser, de modo algum, um objetivo final.
É o Último.
Não é uma etapa.
Não é uma busca.
É, justamente, a cessação de tudo isso.

Questão: pela refutação e a mudança de ponto de vista, a angústia faz-se menos presente, ou mesmo não aparece mais.
Paralelamente a isso, o mental dilui-se.
Mas o ego manifesta-se, ainda, por momentos, de modo agudo.
Eu refuto, igualmente, mas estou surpresa de que alguns sentimentos ainda estejam aí.
A Onda está presente.
Estou um pouco perdida com todos esses estados.
Você pode esclarecer-me?

Mas você já está esclarecida.
O que você quer como esclarecimento suplementar?
A partir do instante em que a conduta da refutação dá-lhe a viver essas mudanças, o que você quer mais?
Talvez você não esteja, ainda, suficientemente perdida.
Quando você estiver totalmente perdida, enfim, você estará encontrada.

Aceite perder, totalmente, todo marcador, todo espaço.
Todos esses estados que mudam, observe-os e refute-os, também.
O que você conduz – e leva – é a boa solução.
Você se esclarece a si mesma.
Continue.
Eu jamais disse que isso ia realizar-se em um ou dois meses.
Alguns o vivem instantaneamente.
Outros vão levar – em termos lineares – vários meses.

Qual é a importância, em definitivo, uma vez que, como disseram inúmeros intervenientes, vocês estão, todos, Liberados?
Portanto, a Liberação é para todos.
Mas é diferente viver a Liberação a partir do «Eu», a partir do Si, ou a partir do Absoluto, porque as implicações não são as mesmas: aquele que está apegado sofre, aquele que está Liberado não sofre.
Aquele que tem crenças sofre e sofrerá.
Aquele que não tem crença alguma. Aquele que renasceu no virgem, não pode sofrer.
Não pode existir luta.

Quando vocês são Absoluto (eu o repito), vocês passam do «Eu» ao Si, e do Si ao Absoluto, como do Absoluto ao Si, e do Si ao «Eu», sem problema algum, à vontade.
Mas, enquanto vocês não são Absoluto, não podem passar de um ao outro.
É por isso que é preciso abandonar o «Eu», o Si.
Enfrentar sua própria morte, a fim de deixar a ilusão desaparecer, sem desaparecer, si mesmo.

Portanto, você já está esclarecida.
O que você deseja mais como esclarecimento?
O que você enunciou traduz que a refutação – em sua terminologia encarnada – funciona.
O testemunho disso é a Onda de Vida, bem além do que é nomeado o Kundalini, os chacras e o Supramental.

O que você quer mais?
Deixe desaparecer todo o resto.
Não procure ser esclarecida mais do que o que dá o esclarecimento do que você vive.
Tudo ali está.
Por que querer mais?
Nada há a procurar.
Nada há a querer.
Há, apenas, que abandonar, totalmente, o Si.
E a refutação é a única via possível.
Então, prossiga.
Você ali está.

É claro, é lógico, no «Eu» e no Si, que o mental esteja presente.
A pacificação das emoções, a diminuição das angústias e do mental leva-os a viver a Presença e a Infinita Presença.
A partir daquele instante, se vocês aceitam morrer a toda localização, a toda relação, a todo apego, vocês renascem, Livres e Liberados.
Vocês são, portanto, Liberados Vivos.
Vocês são o Jnani, o Mukti.
E aí, tudo se torna extremamente claro.
Tudo é esclarecido.
Não pode persistir qualquer zona de sombra.

Questão: a consciência identificou-se, recentemente, a memórias de individualidade, com um sofrimento notável, durante vários dias.
A refutação e a transcendência não têm podido, pontualmente, efetuar-se.
Por quê?

Porque é preciso reforçar sua posição de observador.
Eu o lembro de que é a posição do observador que o faz sair do papel do ator (quaisquer que sejam os meios empregados), no caminho da refutação e da Liberação (que não é um caminho).
Frequentemente, as resistências exprimem-se.
Se posso empregar essa palavra, o desafio, naquele momento, é o de ver, cada vez mais claramente (aceitar, refutando, cada vez mais claramente), suas angústias e suas manifestações.

A um dado momento, você poderá dizer que você ali está, o que quer dizer que você se terá distanciado, suficientemente, desse sofrimento.
Todo sofrimento é feito para ser transcendido.
A transcendência não é a supressão do sofrimento por um meio qualquer (químico, energético, psicológico ou outro).
Ela é, simplesmente, a visão a mais clara e a mais lúcida do sofrimento, onde quer que ele esteja, a fim de permitir uma não identificação.

A refutação é, efetivamente, o meio.
Mas, aí também, isso não funciona instantaneamente.
Por vezes, sim.
Por vezes, não.
Por vezes, é preciso um pouco mais de tempo.
Quanto mais isso lhes pareça árduo (pela não resposta à não refutação), mais vocês estão próximos da Infinita Presença.

Então, não procure por quê, não procure como.
Mas continue a refutar.
E, necessariamente, esse sofrimento afastar-se-á.

A partir do instante em que você não dá mais tomada (sem rejeitar, eu repito), a partir do instante em que não há mais amarra na Consciência (por um sofrimento como por um apego, é o mesmo princípio), então, o apego ou o sofrimento não está mais.
Aí está a Liberdade.
Aí está a Liberação.

É claro, há, frequentemente, uma tendência a dizer: «isso não funciona», a partir do instante em que vocês estimam que um tempo suficientemente longo ali foi consagrado.
Mas, se isso está sempre presente, é que o tempo consagrado não é suficientemente longo.
É uma injunção para continuar.
Não existe qualquer sofrimento que resista à refutação.
Em contrapartida, existem muitos sofrimentos que vão resistir à reação: quer ela seja química (por um analgésico), quer seja psicológica (por um medicamento psíquico, na visão psíquica), ou qualquer outra técnica.
Mas eu poderia dizer a mesma coisa em relação à questão à qual eu não respondi, em relação ao medo, é a mesma coisa: se vocês querem compreender os mecanismos do medo, como do sofrimento, vocês não sairão, jamais, da ação/reação.
Vocês mantêm, nutrem a Dualidade.

A refutação não pode, em caso algum, nutrir a Dualidade, porque isso vai criar uma ruptura de equilíbrio no mental e, portanto, no cérebro.
É essa ruptura de equilíbrio, no cérebro e no mental (como é obtida quando de uma experiência de morte iminente ou, ainda, quando de algumas experiências fora do corpo ou místicas), que se realiza a Liberação.
É tão simples assim.

É claro, quando há sofrimento ou medo, a primeira coisa que vem à consciência é encontrar um remédio para fazer cessar o medo ou o sofrimento.
O erro está aí, e ele é fundamental: a refutação não vai agir contra, enquanto a lógica da encarnação quereria que se agisse contra.

A refutação é um acompanhamento e não uma luta.
O acompanhamento vai, sempre, para as linhas de menor resistência.
A refutação será, nesse caso (como na questão à qual eu não respondi), muito exatamente, o que será um, agente de transcendência que concorre para a Liberação.

Enquanto vocês querem lutar contra, enquanto querem explicar medos, sofrimentos (é a mesma coisa), vocês se enganam.
Porque vocês induzem, nesse saco de alimento, nesse saco de pensamentos, uma repetição no efêmero que é sem fim, até o fim do efêmero, e vocês não se apercebem, mesmo, disso.
Em contrapartida, a refutação, mesmo se ela não pareça dar resultados, é, realmente, o único meio que vai fazê-los passar do ator que sofre – ou que tem medo – para aquele que observa e, em definitivo, para além do observador.

Portanto, eu o engajo a continuar.
Essa resposta é conjunta àquela concernente ao medo, à qual eu não respondi, porque a formulação não é a mesma.
E eu os engajo a reler as duas formulações das duas questões que, no entanto, poderiam assemelhar-se, mas que, no entanto, tudo opõem, porque o ponto de vista da primeira questão não é o ponto de vista da segunda questão à qual eu respondi.
Toda diferença está aí.

Questão: qual é o pior obstáculo a derrubar para mim, para fusionar, como eu o fiz uma vez, sem procurá-lo, ou seja, para renovar a experiência à vontade?

Mas nenhuma experiência, à vontade, o fará viver o Absoluto.
É preciso cessar toda experiência.
Aliás, a experiência espontânea que foi vivida não se reproduz, porque há um obstáculo que tem tamanho: é você mesmo.

Toda experiência vê-se apropriada pelo «Eu» ou pelo Si e, enquanto há uma apropriação de uma experiência (mesmo a mais maravilhosa), bem, não há Absoluto.
Isso é uma constante.

Será que alguém que fez uma experiência às portas da morte renova essa experiência à vontade?
Bem, não.
Por quê?
Porque há um apego à lembrança da experiência.

Esse apego à lembrança da experiência basta para bloquear a experiência futura e basta para bloquear o Absoluto.
Nenhuma pessoa que viveu uma experiência de morte iminente pode aceder a esse estado Absoluto, porque há um apego.
Todo apego a uma experiência – qualquer que seja, a mais autêntica e a mais profunda – é um obstáculo essencial ao Absoluto.

Aquele que jamais viveu experiência acede mais facilmente ao Absoluto, porque ele está virgem.
É o mesmo princípio como para o Si: aquele que se tem ao seu Si não quer soltar o Si.
Aquele que é marcado por uma experiência mística, qualquer que seja, não quer soltá-la.

Apreenda, efetivamente, portanto, que o único obstáculo é você mesmo.
Esqueça-se.
Esqueça-se dessa experiência.
Refute-as e você será Absoluto.

A dificuldade vem do apego, eu repito.
E quanto mais a experiência é profunda, e quanto mais ela é bela, quanto mais é viva, mais ela é um obstáculo no que vocês são hoje.
Lembrem-se: não há progressão entre o Si e o Absoluto.
Não há passagem entre o Si e o Absoluto.
O Si é o orgulho espiritual, por excelência, daquele que se crê chegado, daquele que quer continuar confinado, que recusa Abandonar-se e que, no entanto, clama a necessidade de Liberdade.
Aquele que diz isso está entravado de medos e de sofrimentos.

Nenhuma experiência deve ser reproduzida.
O Absoluto é a cessação de toda experiência.
Mas, uma vez que o Absoluto é revelado, todas as experiências tornam-se possíveis, mas não antes.
É isso que é preciso apreender.

Portanto, refute todas as suas experiências, mesmo essa, e você verá.
O próprio do ser humano é apegar-se a tudo o que lhe cai na mão ou sob os olhos.
E se, além disso, é uma experiência mística não habitual, isso vai bastar para enraizá-lo na experiência passada e para impedi-lo de ser Livre e, portanto, de viver sua própria Liberação.
Isso não é um paradoxo, uma vê que o Absolto não é uma progressão a partir do Si.
É a ruptura do Si.

Aí está porque a refutação é fundamental e essencial.
Enquanto vocês não tiverem refutado mesmo seus acessos ao corpo de Existência, enquanto não tiverem refutado mesmo seu acesso ao Sol, enquanto não tiverem refutado mesmo sua própria Dissolução, vocês não podem ser Liberados.

Ora, justamente, o Si vai crer, ao inverso, que é necessário manter viva a experiência passada, devido à sua intensidade.
Ele vai rememorar-se da experiência, vai fazê-la girar em círculos (no mental, no Si), e vai afastar-se, ainda mais, dessa Liberação.

O Despertar, pomposamente assim nomeado, não é a Liberação.
A Realização é apenas uma farsa que os mantém na ilusão.
É assim que nascem as ilusões espirituais (o que vocês chamam a New Age ou os ensinamentos Luciferianos) que lhes enchem a cabeça com algo que não é verdadeiro e que é um obstáculo essencial para a Liberdade e para a Liberação, porque vocês continham fixados na experiência passada, na visão do terceiro olho, nos potenciais energéticos e Vibratórios, enquanto, mesmo isso, deve ser refutado.
Se não, vocês mantêm o Si.

Vocês se vangloriaram do Despertar, vangloriaram-se de sua auto-Realização que é, de fato, apenas o reflexo de sua autossuficiência.
Mesmo isso deve ser refutado.
E é mais fácil refutar a vida comum, para uma pessoa no «Eu», que jamais viveu o Si, do que refutar o Si, para aquele que está instalado no Si e no orgulho espiritual.

Eu os lembro de que vocês estão, todos, Liberados, mas que as condições e as circunstâncias dessa Liberação não são as mesmas, que a evolução de sua própria Liberação não é a mesma.
Portanto, o obstáculo é você.

Questão: sempre tenho muitas dificuldades para interiorizar-me corretamente, quando dos alinhamentos ou das meditações.
Ou eu durmo, ou eu acabo por deixar-me levar por pensamentos, ou sou incapaz de permanecer durante o tempo preconizado.
Daí eu deduzo, portanto, que tenho resistências importantes. Mas eu não as identifiquei.

Esqueça-se, primeiro, de suas suposições e de suas projeções, porque o fato de dormir é excelente.
Porque o adormecimento corresponde à extinção da consciência, bem além de Turiya e, portanto, isso é um sinal forte de que o Alinhamento, como você diz, tem uma eficácia.
O adormecimento é o momento em que há a ocultação, tanto da consciência como da supraconsciência.

Nesses momentos, o Absoluto desvenda-se, mesmo se você não tem a consciência disso.
A resistência situa-se nos momentos em que você não se tem no lugar e nos momentos em que os pensamentos invadem-no.
Aproveite desses momentos, nos quais o Alinhamento dá-lhe a viver isso, para refutar esses pensamentos, sem lutar contra, mas desengajando-se deles, desidentificando-se desses pensamentos.

Não há, portanto, que agir, não há, portanto, que deixar fazer, mas, efetivamente, que aproveitar dessa oportunidade que lhe é oferecida, para refutar, durante esses momentos.
O que vocês nomeiam «Alinhamento» é a conjunção, doravante, da supraconsciência e da Onda, em ressonância com o Absoluto.
Aproveite, portanto, desses instantes e desses momentos para implementar a refutação ou, então, para dormir.
O resultado será o mesmo.

O modo pelo qual você exprime a questão mostra que o mental gostaria, efetivamente, de apropriar-se das experiências de Alinhamento.
O adormecimento é o melhor dos modos para que o mental não possa monopolizar isso.
Persista, portanto, nisso, e refute, enquanto você não dorme.
Você constatará, então, muito rapidamente, algo que acontece e que o conduz a um mecanismo de Si (chamado Infinita Presença) que é, de algum modo, as primícias ao Absoluto ou, em todo caso, facilitação do Absoluto.

Questão: desde algumas semanas, tenho a impressão de que o que constituía minha atividade profissional abrasa-se sob meus olhos e que nada mais tem sentido.
Eu sei que nada há a fazer, nada a parar, mas isso gera em mim ou um mecanismo de ação/reação, ou uma sensação de depressão, de vazio.
Nos dois casos, não estou nem na alegria, nem na paz.
Como fluidificar esse processo e sair da ilusão?

O modo que você tem de apresentar: você me faz uma descrição que corresponde à saída da ilusão e, em seguida, pergunta-me como sair da ilusão, enquanto é o que você está vivendo.
O que você quer mais?

O fato de perder os marcadores, o fato de não mais encontrar apego a quem quer que seja ou ao que quer que seja é, efetivamente, a prova da Liberação em curso e, portanto, da cessação da ilusão.

O que você quer aportar mais a isso?
Porque o que é vivido aí é o processo da Infinita Presença, que os conduz ao Absoluto e ao fim da ilusão desse mundo.
Agradeça, portanto, pelo que você vive, e nada mude.
Seja o observador do que se desenrola, porque o que lhe é dado a ver é, justamente, o fim de suas próprias ilusões, de seus próprios apegos.
É o luto, ou o choque.
É o que vocês vivem, todos, nesse momento, em graus diversos.

Portanto, por que vocês querem bloquear isso?
É totalmente natural.
Nada há a melhorar.
Há apenas que ver o que se desenrola.

O que quer que vocês tenham a impressão de perder, quem quer que vocês tenham a impressão de perder, agradeçam, porque aí se encontram sua Liberação e sua Liberdade, o que quer que vocês pensem, qualquer que seja o sofrimento, qualquer que seja a depressão.
Lembrem-se de que o que se exprime, pela depressão, pelo sofrimento, pelo tédio é apenas o reflexo da agonia do ego e do Si.
Portanto, por que vocês querem aportar um remédio e impedir o que os libera?

Mudem de olhar, aí também.
Agradeçam.
O que lhes parece terrível e difícil, hoje, é destinado apenas a mostrar-lhes os últimos apegos ao trabalho.
É o que os libera.
Seja o trabalho, seja um parente.

O que vocês vivem é a Liberdade, mesmo se isso lhes apareça, na consciência, como o inverso.
Mas é claro que, para a consciência, é o inverso.
A consciência não quer desaparecer, seja a consciência do eu ou a consciência do Si.

As circunstâncias de suas vidas levam-nos a viver isso e é, muito exatamente, o que é necessário.
Então, por que querer remediar sua própria Liberação?
Se vocês aceitam isso verão, por si mesmos, que o que lhes parecia, na véspera, um sofrimento enorme, é apenas sua Liberação, nada mais.

Vocês não estão mais nos tempos da contemplação do Si e da Alegria.
Vocês estão na Liberação dos últimos apegos, das últimas ilusões.
Mesmo se isso lhes pareça difícil, é difícil pra quem e para quê?
Olhem isso.
Sejam o observador, num primeiro tempo.
Refutem isso e vocês serão Liberados.
Vocês não têm que resistir.
Vocês não têm que se opor, senão, vocês manterão ou restabelecerão uma dualidade a qual vocês não querem mais.

Não é um mau humor ou uma depressão profunda que deve impedi-los de Ser.
Eu diria, mesmo, que é um sinal excelente, que traduz, perfeitamente, a Liberação em curso.

O que vocês querem mais?
Vocês não estão mais nas etapas de acesso ao Si, de realização do si.
O que se desenrola é a Ascensão da Terra, a Liberação final de todas as ilusões.

Quando o mundo desaparece, ao que vocês se relacionam, se não é ao que vocês São?
É uma oportunidade e um presente, uma grande graça.
E vocês vivem isso ao inverso.

Eu disse: quanto menos vocês compreendem, mais isso lhes parece difícil, mais isso será fácil.
É apenas a expressão de resistências do ego e do Si.
Mas se isso os toca, é que isso deve sê-lo.
Vocês não são o que sofre, vocês não são a depressão.

O que se desprende de vocês Libera-os.
Não há qualquer exceção a essa regra.
O que quer que se desprenda de vocês, mesmo se vocês não percebam nisso a utilidade, mesmo se vocês vivam nisso apenas um estado extremamente desagradável, vão além disso.
Não portem julgamento sobre o que vocês vivem, porque tudo o que vocês vivem, hoje, é apenas a resultante de sua Liberação.
Vocês deveriam estar felizes: vocês saem do teatro, não há mais teatro.

E, quanto mais o que vocês nomeiam os dias vão passar, as semanas vão passar, mais isso será evidente.
Vocês não podem voltar atrás.
O que morreu, morreu.
O que nasce, nasce.
Apenas os apegos ao que morreu é que criam o sofrimento.
E o que morre não é uma perda, eu repito, é uma Liberação.

Mudem de olhar.
É, de preferência, se vocês nada vivem, ou se vocês estão na alegria permanente, que deveriam inquietar-se.
Eu os remeto, para isso, ao que disse um dos Anciões, há algum tempo, longamente mesmo, concernente ao choque da humanidade.

O que é que vocês creem que vivem?
Seu choque pessoal.
O choque do ego.
O choque do Si.
Isso será cada vez mais evidente, mas vocês não são isso.

Vocês não têm qualquer meio – intelectual, mental, de clarividência, de intuição ou de premonição – que lhes dê os meios de aceitar o que vocês vivem.
Vocês devem passar por aí.
Mas, eu repito, isso não é uma prova, é uma Liberdade.

Eu creio que o Comandante dos Anciões repetiu-lhes durante anos: a lagarta torna-se borboleta.
Mas a lagarta deve deixar o lugar para a borboleta.
Senão, como vocês querem ser, ao mesmo tempo, uma lagarta e uma borboleta?
Mudem de ponto de vista.
Não mantenham o ponto de vista da lagarta, mas o ponto de vista da borboleta.
Não encontrem estratagema, dizendo: eu estou encarnado, tenho obrigações.
Isso não se mantém.

Se vocês aceitam o que acontece, continuarão a fazer o que há a fazer, até o último momento, mas serão Liberados antes.

Então, o que vocês querem?
É como se vocês dissessem: «eu quero, sim, morrer, mas não quero que meu coração pare», «eu quero, sim, morrer, mas quero, sim, continuar onde estou».
Vocês sabem, muito bem, que é impossível.

Questão: o Absoluto desvendou-se durante um momento de meditação e de tranquilidade, mas, quando as atividades da vida foram retomadas, o véu recolocou-se.
A expectativa e a vontade de viver novamente esse estado fazem obstáculo a essa revelação.
Como agir nesses obstáculos?

A revelação sobrevém apenas uma vez.
Isso não pode voltar a ser vendado, porque o véu está consumado.
Não há passagem entre o Si e o Absoluto.
Mas, uma vez o Absoluto estabelecido, a passagem é possível nos dois sentidos, à vontade, o que quer dizer que o que foi vivido é uma Dissolução na Infinita Presença.
E é, aliás, a diferença com o estado Absoluto – que não é um estado – porque, quando o Absoluto é tocado, vivido, realizado, conscientizado, desvendado, ele não pode mais voltar a vendar-se ou desaparecer.
Era, portanto, uma preliminar, mas, como você observou e disse, o desejo de agir e de reproduzir a experiência afasta-o do que foi vivido.
Refute, também, isso.
Não o procure.
Não o peça, mas refute-o e você verá.

Está claro que a realização da Presença Final ou da Infinita Presença apresenta, se posso dizer, similitudes perturbadoras com o Absoluto.
A diferença reside, justamente, nessa passagem ou essa não passagem à vontade.
Se não há possibilidade de reviver, espontaneamente, isso, a partir dos olhos fechados, não era, portanto, Absoluto, mas, efetivamente, o último estado, chamado Infinita Presença.
Portanto, é preciso refutar e não desejar.
E, sobretudo, não agir.

O comportamento a adotar é, portanto, estritamente, o oposto do que você procura fazer.
Quando o Absoluto está aí, vocês passam, à vontade, sem dificuldade, sem meditação, do Absoluto ao Si, do Si ao eu, do eu ao Si e do Si ao Absoluto.
O fato de que isso não se reproduza assinala que isso ainda não se produziu.
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Compartilhamos estas informações em toda transparência. Obrigado por fazer do mesmo modo. Se você deseja divulgá-las, reproduza a integralidade do texto e cite sua fonte: http://www.autresdimensions.com/.


2 comentários:

  1. Mais Bidi, de uma maneira alegre, suave", verdadeira. Absolutamente "ABSOLUTO".

    "Quando o Absoluto está aí, vocês passam, à vontade, sem dificuldade, sem meditação, do Absoluto ao Si, do Si ao eu, do eu ao Si e do Si ao Absoluto."

    Bem, 'perdi' as anotações. 'Não importa'. O que reconheço é que quando leio a mensagem sinto Alegria e Verdade.
    Um abraço a todos.
    Noemia

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  2. Fui muito de usar o termo "Despertar", nestas últimas duas décadas, e ainda continuo. É claro que isto não significa despertar de alguém, mas a ausência deste. Nesta MSG, o Bidi é implacável com este termo, mas no sentido de que deve ser, pois que nada mais esdrúxulo do que alguém se sentir desperto, dado que ele, o alguém, é o próprio impedimento do Despertar (em si mesmo, que é algo absoluto e não relativo a quem quer que seja). Enfim, a Verdade não é inconsciente (pelo contrário), mas não se trata de consciência de quem ainda observa ou se acha existente. Algumas abordagens luminosas contidas na presente MSG, de interveniente cada vez mais cativante: "Apenas quando tudo o que é ligado à sua pessoa, ao seu «Eu», ao seu Si não existe mais, calou-se, é que o Absoluto está aí <> Vocês devem aceitar morrer. Isso foi nomeada a Crucificação, a Ressurreição <> É preciso tudo perder, para ser Tudo <> Você não pode conhecer o que você É. Você apenas pode Sê-lo <> O Absoluto põe fim à compartimentação, põe fim à localização, põe fim a toda Ilusão, a toda crença, a todo Si, a todo «Eu» <> Vocês devem passar ao outro lado, ao mesmo tempo sabendo que não existe qualquer ponto de passagem, exceto pela morte de tudo o que eu acabo de nomear <> Vocês devem renascer, virgens e novos <> Quando o Absoluto está aí, vocês passam, à vontade, sem dificuldade, sem meditação, do Absoluto ao Si, do Si ao eu, do eu ao Si e do Si ao Absoluto".

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