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29 de jun de 2012

BIDI – 3 – 29 de junho de 2012

Mensagem publicada em 1 de julho, pelo site AUTRES DIMENSIONS.

Áudio da Mensagem em Francês

Link para download: clique aqui



Questão: quais possibilidades guiar-me-ão e permitir-me-ão bascular e aceder ao Absoluto?
Há palavras cujo arranjo mostra uma interrogação na interrogação.
Você está certa de sua questão?
O que significa «a possibilidade» e «guiar»?
Ainda uma vez, a noção de guiar significa uma necessidade de compreender, uma necessidade de apreender, uma necessidade de apropriar-se enquanto o absoluto, em caso algum, não pode ser definido, nem mesmo percebido enquanto você se situa no conhecido, enquanto você persiste a querer compreendê-lo, apreendê-lo.

A preliminar chamada «Abandono do Si» é realizável apenas pela refutação.
Cabe a você, portanto, cessar de querer compreender, cessar de querer apropriar-se.
O Absoluto, em caso nenhum, pode ser um objetivo, nem uma finalidade e, ainda menos, algo que se possa perceber, sentir ou experimentar.
Apenas a refutação de tudo o que é conhecido – seja esse corpo, como o conjunto de corpos ditos sutis – é que permitirá, num primeiro tempo, romper o hábito da identificação a tudo o que constitui a vida nesse mundo.

Ser nada aqui, como eu disse, permite Ser Absoluto.
Então, é claro, certo número de Pilares, certo número de elementos – que lhes foram comunicados – são elementos preparatórios ao Absoluto.
Mas, em caso nenhum, o Absoluto pode ser apreendido através de uma compreensão intelectual.
Quando esse estado instala-se, para além de todo estado, quando ele se revela e desvenda-se, instantaneamente, isso é uma percepção além de toda percepção, é um estado além de todo estado, que os instala fora da ilusão.
Não como crença, mas como Verdade Absoluta, vivida de maneira permanente, que lhes permite extrair-se de tudo o que faz o efêmero e o ilusório.

Não existe, portanto, qualquer elemento que possa guiá-la, qualquer possibilidade que lhe permita dirigir-se para o que quer que seja.
Apenas o princípio de refutação e a investigação sobre o que não é o Absoluto permitir-lhe-á, a um dado momento, romper o círculo vicioso do mental, assim como do conjunto de crenças, assim como do conjunto de identificações que participam do efêmero.
Não há outro meio, não há técnica, não há outra abordagem possível concernente ao Absoluto.

A refutação consiste em rejeitar (sem negar e sem renegar), consiste em ver tudo o que não é Infinito, tudo o que é efêmero, permite uma abordagem direta, se posso exprimir-me assim, do Absoluto.
Vocês não podem, em caso algum, guiar o que quer que seja.
Vocês não podem elaborar qualquer estratégia, qualquer outra possibilidade.

Nenhuma Vibração pode conduzi-los a ser Absoluto.
É, justamente, na refutação de tudo o que é vivido – concernente tanto ao eu como ao Si – que o Absoluto revela-se e desvenda-se.
É claro, a Onda de Vida, o Manto Azul da Graça participam desse trabalho.
O conjunto de elementos inscritos na sobrevivência da própria personalidade – como o medo da perda dessa personalidade, o medo da morte – são elementos que podem ser transfigurados pela própria Onda de Vida que facilita, de algum modo, o desaparecimento do ego e a transcendência do ego, o desaparecimento do Si e a transcendência do Si, permitindo desvendar o que sempre esteve aí.
Vocês não podem apreender-se disso por qualquer processo mental, por qualquer processo Vibratório, por qualquer experiência.
A refutação é o princípio e o próprio fundamento do Advaïta Vedânta que permite, se o desejam, estabelecer-se no que vocês São, de toda a Eternidade, para além de toda a vida, para além de toda matéria e para além de toda Dimensão.

Vocês não podem apreender-se disso, vocês não podem aproximar-se de outro modo que não pela refutação, de outro modo que não aproveitando da influência da Onda de Vida, do Manto Azul da Graça e da superação e da transcendência do eu e do Si.

Os Pilares que foram comunicados – já há muito tempo – concernentes à Humildade, à Simplicidade, à Transparência, ao Caminho da Infância são possibilidades.
Mas essas possibilidades não dão acesso, se posso dizer, diretamente, ao Absoluto, mas estabelecem as bases, as fundações, que permitem assentar, de algum modo, o abandono do eu e o abandono do Si.

Questão: você pode esclarecer-me sobre minhas resistências para soltar minha personalidade?

Uma parte da resposta que eu lhe darei é, portanto, oriunda da questão anterior.
Eu não voltarei a isso.

O apego da personalidade a ela mesma é inerente ao princípio de sobrevivência.
A personalidade, para existir, deve crer-se eterna, o que, obviamente, ela não é, jamais, uma vez que a personalidade aparece e desaparece entre o nascimento e a morte.

Nada subsiste da personalidade, uma vez que o saco de alimento não esteja mais e é devolvido à Terra.
O que persiste – e ainda, para vocês, isso é uma crença, geralmente – é a alma e o Espírito.
Mas a alma e o Espírito não são o Absoluto.
Eles são contidos no Absoluto.

As resistências da personalidade, para além de qualquer noção psicológica, são ligadas, mesmo, à presença da projeção da consciência nesse mundo.
Assim, não há especificidade individual, mesmo se existam programações na personalidade, função de sua própria história, de sua própria memória.
Além disso, há arquétipos, fundamentos, fundamentais que, junto a todo ser humano encarnado, são, pelo princípio de preservação da espécie, de algum modo, as garantias e os guard-rails do não desaparecimento da personalidade antes de um final (quer seja a morte natural, uma morte acidental ou o que quer que seja que ponha fim à existência da personalidade e, portanto, à projeção da consciência em seu confinamento nesse saco de alimento).

Assim, portanto, eu não posso dar-lhe elemento pessoal concernente ao que é comum ao conjunto da humanidade encarnada.
Eu a remeto, portanto, ao que pôde ser dito, de diferentes modos, concernente ao que vocês nomeiam os dois primeiros chacras, nos quais estão inscritos os princípios de sobrevida, os princípios de sobrevivência, assim como os princípios de ilusão que permitem manter uma aparência de coerência no que é nomeada a personalidade.
Não há, portanto, resposta que lhe seja pessoal.

Quer se esteja ao nível do eu, quer se esteja ao nível do Si, quer se esteja na Presença Infinita ou na Infinita Presença, o mecanismo, se se pode dizê-lo, continua o mesmo: apenas na superação do medo da morte, do medo de seu próprio desaparecimento é que o Absoluto aparece como algo que está aí, de toda a eternidade.
A projeção da consciência deve, portanto – o tempo do que não é uma passagem, mas, efetivamente, uma Transfiguração – parar de existir.
É esse medo que deve ser vencido.
Não no sentido de um combate, não no sentido de uma explicação, mas, efetivamente, num face a face.

No Ocidente, isso foi o reencontro com o «Guardião do Limiar», que lhes permite viver suas próprias Trevas, sua própria dissolução.
Isso é inscrito, eu repito, no princípio de própria preservação do corpo.
Não pode existir elemento, propriamente dito, psicológico, uma vez que nós estamos aqui, diretamente, em algo que é inscrito no próprio saco de alimento.
O saco de alimento é persuadido, ele também, de ser imortal, enquanto, obviamente, vocês sabem que isso é falso, ao menos na superfície desta Terra.

Há um momento em que vocês aparecem.
Há um momento em que vocês desaparecem.
O que aparece e o que desaparece concerne, exclusivamente, ao efêmero.
Subentendido nesse aparecimento e nesse desaparecimento existe o que é nomeado um observador ou consciência do «eu sou», que Realiza o Si.
Além do «eu sou», há o não ser.
O não ser é a cessação de toda projeção de consciência nesse mundo, como em toda Dimensão.

Ser Absoluto define novos quadros que são constituídos pela ausência de quadro e ausência de limite.
Não há mais localização, não há mais confinamento, não há mais possibilidade de ser limitado, de maneira alguma.
A consciência pode projetar-se, como não mais projetar-se.
A reintegração na Fonte, a pulsação do Absoluto – se se pode chamá-la assim, embora isso a nada corresponda que lhes seja conhecido – é uma emanação de Amor, que se contempla a si mesma.
É o que nós todos somos: Amor que se contempla a si mesmo.
Projeção do Amor em diferentes estratos Vibratórios, em diferentes frequências, em diferentes experiências.

Enquanto existe, na consciência – seja do eu ou do Si – a necessidade de experimentar, a necessidade de projetar-se, o Absoluto não pode aparecer, enquanto ele já está aí.
É preciso, portanto, que haja, de algum modo, uma extinção total da consciência.
Seja a consciência fragmentária da personalidade, seja a consciência expandida ou a Supraconsciência do Si, tudo isso deve cessar, como se o tempo parasse, como se o espaço não existisse mais, a fim de que a própria consciência pare de observar-se, pare de ver-se e pare de ser vista, ela mesma, em qualquer Dimensão que seja.
Isso realizado transforma, totalmente, sua vida, tanto aqui como alhures porque, naquele momento, vocês não estão mais – ao mesmo tempo estando no Absoluto – em uma forma, limitados por essa forma, de maneira alguma.
Sua consciência, de algum modo, mesmo em suas projeções, não está mais limitada a esse corpo, a essa Dimensão ou a qualquer outra consciência existente.

Vocês são, verdadeiramente, naquele momento, Absoluto, na realidade, não da experiência, mas do que vocês São, de toda a eternidade.
Eu resumiria isso dizendo que o único obstáculo para Ser Absoluto é o medo.
Enquanto existe, em vocês, o mínimo medo (concernente a esse corpo, concernente a essa alma, concernente a esse Espírito, concernente à sua evolução, concernente aos seus apegos, suas crenças), o Absoluto não pode, de modo algum, ser o que vocês São e, no entanto, vocês São, de toda a eternidade.
Porque o medo é uma projeção de consciência na limitação, no medo de seu próprio desaparecimento ou autodissolução.
O próprio mecanismo reencontra-se nos mecanismos de aproximação da morte no qual, a partir do instante em que vocês sabem que vão morrer, por uma razão precisa, sobrevém, na consciência, a recusa.
Essa recusa é característica da consciência da personalidade.
Mesmo na consciência do Si, mesmo se esse período de recusa pareça muito mais leve, ele existe, entretanto.
A recusa é apenas o reflexo e a consequência do medo.

A personalidade é construída sobre a falta de Luz, sobre a falsificação, sobre a amputação.
Dessa falsificação, dessa amputação resulta o que é nomeado o medo.
O medo é apenas um sentimento de incompletude que faz com que toda sua vida, a personalidade vá procurar tranquilizar-se, tentando criar circunstâncias que lhe pareçam eternas e que, obviamente, não o serão, jamais (seja através de uma afeição, seja através de um trabalho, seja através de uma descendência), uma vez que, de todo modo, o dia em que vocês deixam esse mundo, esse mundo não existe mais para vocês.

É claro, existem meios – limitados – de contato entre esse lado da vida e o outro lado da vida, chamado a morte.
Mas tanto um como o outro são apenas amputações do que vocês São, em Verdade.
Existe, na personalidade – e isso é comum a todo humano – a necessidade de ser tranquilizada, a necessidade de encontrar uma estabilidade em um mundo no qual nada de tudo isso possa existir, devido à própria existência do princípio de amputação e de falsificação, assim como de confinamento.

Questão: embora sentindo, em mim, as manifestações da Onda de Vida, eu me pergunto por que estou, ainda, tão preso ao meu eu.

A Onda de Vida, como eu disse, é um elemento facilitador, que vem transfigurar os medos inscritos ao nível dos dois chacras inferiores, correspondentes ao corpo físico e ao corpo que vocês nomeiam etéreo.
Mas isso não basta para fazer desaparecer o eu e o que você nomeia «estar preso ao eu».
Existe um princípio de abandono do Si, situado na perda total da personalidade, que corresponde à passagem entre o terceiro chacra e o chacra do Coração.
Isso foi nomeado a Crucificação e Ressurreição.
Existe, nesse nível, o que é chamada uma «Porta Estreita».
É o momento em que vocês devem, de algum modo, provar-se – a si mesmos – que não estão apegados a nada desse mundo, a nada do que é efêmero.

Vocês devem estar livres de toda crença.
Vocês devem estar livres de todo apego.
Vocês devem estar livres de todo conhecido.
É nesse nível que vai agir a refutação.

Eu repito, com referência a essa questão: não é uma problemática pessoal, mas, efetivamente, uma problemática coletiva, ligada ao confinamento, à amputação e ao isolamento desse mundo.
O conjunto de conhecimentos – mesmo os mais elaborados – é apenas ignorância, porque nenhum dos conhecimentos, quaisquer que sejam (astrológicos, espirituais, religiosos), pode dar-lhes acesso à Verdade, mas, simplesmente, a crenças, às quais vocês aderem ou não.

Nenhuma crença – mesmo a mais elaborada – pode mudar o que quer que seja em seu status.
Se vocês observam: em todos os modelos religiosos, em todos os modelos de sociedade da Terra, qualquer que seja a adesão a uma determinada religião ou a outra, há seres que conseguiram Abandonar-se, inteiramente, aceitar o próprio desaparecimento.
Qualquer que seja a religião no início, pode-se dizer que vocês devem, todos, passar pela mesma Porta Estreita.
É o momento em que é preciso desfazer-se do conjunto de crenças, do conjunto de certezas.
É nessa condição que o Desconhecido pode ser revelado e que o Absoluto é realizado, no sentido da Liberação.

Enquanto vocês se apoiam em uma crença, enquanto se apoiam em um conhecimento, qualquer que seja, vocês estão na ignorância a mais total.
O que vocês chamam conhecimento – no sentido humano – é apenas ignorância.
Se vocês aceitam essa ignorância, então, penetram o conhecimento, porque vocês São o conhecimento.
Sendo o conhecimento, sendo Amor e Luz, vocês não podem, em caso algum, através de qualquer projeção, apreender isso.
Apenas desembaraçando-se de tudo o que é conhecido – pela investigação e a refutação – é que vocês chegam a isso.

Eu esclareço – para as intervenções futuras – que eu lhes pedirei, doravante, para ler, atentamente, o que eu já disse, porque muitas das questões que vocês fazem já tiveram sua resposta, sobretudo, quando se trata de respostas que são coletivas e que não concernem, em nada, à sua personalidade e, em nada, à sua individualidade.

O princípio da investigação, o princípio da refutação é universal.
Ele não depende de qualquer crença, de qualquer carma, de qualquer religião, de qualquer país.
Eu exprimi, desde o início de minha vinda, que tentarei – o mais possível – sair de todo contexto de sociedade, de toda noção histórica.
Eu me aplico nisso, e isso é fundamental.

Os tempos que vocês vivem, como vocês sabem, são específicos.
Eles requerem de vocês uma noção de despojamento, de não aderir ao que quer que seja que não é vivido.
E convém, mesmo, superar o que é vivido, uma vez que isso foi vivido, ou seja, superar a própria experiência, pelo princípio de refutação.
É claro, o ego e a personalidade vão, sempre, dizer-lhes que isso para nada serve.
E é lógico.
E é normal.
Mas vocês não têm, estritamente, qualquer outro meio que não o de realizar isso pela investigação, pela refutação.
Não há outro meio de liberar-se do conhecido.

O processo Vibratório concerne à consciência – isso vocês também sabem – uma vez que a consciência é Vibração.
De acordo com a gama em que se exprime essa Vibração, ela é ou conhecida, e, então, vocês estão na consciência do eu, ou as Vibrações aparecem no corpo (quaisquer que sejam os pontos de penetração), e muitos foram-lhes dados: chacras, Portas, Estrelas, Kundalini, Onda de Vida.
Essa penetração vai induzir uma expansão da consciência, que chama a isso: o Despertar, a Realização, o Acesso à supraconsciência.
Mas mesmo isso não é Absoluto.
O Absoluto é, efetivamente, mais amplo (se posso exprimir assim) do que tudo o que pode ser percebido, tudo o que pode ser sentido.
Ele é, efetivamente, mais vasto do que a consciência.
É uma deslocalização total de sua consciência, que não está mais submetida às leis desse mundo, ao mesmo tempo mantendo a forma, ao mesmo tempo mantendo suas vidas.

Mas o princípio da refutação – que pode parecer-lhes, ao nível do ego, como um exercício simplista ou um exercício mental – é o mecanismo o mais simples, que visa desviar todas as camadas intermediárias da cebola, o que lhes permite ter a visão global, para além de tudo o que pode ser visto e para além de toda consciência.
É preciso conceber – e viver – que a consciência exprime-se numa paleta de Vibrações: aquela da personalidade, aquela do Si e aquela da presença Última e Infinita, que o Absoluto engloba tudo isso, presente sobre esse mundo, presente nas Dimensões, que engloba o conjunto de tudo isso e, mesmo, a Fonte.

Quando os Arcanjos disseram que estavam no interior de vocês, isso não é uma visão do espírito, não é uma projeção, mas, efetivamente, a estrita Verdade do Absoluto que vocês São.
Vocês devem aceitar morrer para si mesmos, a fim de renascer.

Eu repito, não há passagem entre o Si e o Absoluto, não há passagem entre o eu e o Absoluto.
Há, efetivamente, uma Porta Estreita que é, ela também, de algum modo, fundação, elemento de apoio, assim como a Onda de Vida.
Mas é preciso, ainda, que vocês aceitem perder-se e desaparecer, coisa que não podem aceitar, de modo algum, o eu e o Si.
Mas é uma passagem que eu qualificaria de obrigatória.
Não há outra.
E essa passagem (a palavra não é indicada, porque não é uma passagem) é, justamente, o Abandono de tudo o que é efêmero, de tudo o que é conhecido, que lhes abre, se se pode dizê-lo, esse acesso ao Desconhecido, que não é um acesso.

A melhor expressão que encontramos é, efetivamente, essa noção de ponto de vista ou de olhar.
De onde vocês olham?
Vocês estão na cena, atuando?
Vocês estão na sala, olhando o espetáculo?
Ou vocês estão fora do teatro?
Enquanto vocês atuam, não podem estar fora.
Mas, quando vocês estão fora, tomam consciência, se se pode dizê-lo, através da projeção da própria consciência, de que existe um espectador ou observador e que existe um ator.
Mas vocês não são identificados, de maneira formal, nem ao ator, nem ao observador, nem ao que quer que seja como elemento existente no teatro.
Vocês são o conjunto de tudo o que é percebido, como de tudo o que não é percebido.

Questão: o que é da raiva e da irritação que atravessam, ainda, esse corpo e essa personalidade?

O que você entende por «o que é de»?
Você deseja uma explicação lógica e racional do por que isso existe?
Em que isso concerne ao Absoluto?
Isso é, tipicamente, o gênero de conhecimento que não lhe é de qualquer utilidade, tanto para o Si como para o Absoluto.

As leis da ação/reação concernem apenas a esse saco de alimento e a esse saco de pensamentos.
Enquanto você está na reação em relação a isso, enquanto você está na necessidade de compreensão disso, você permanece confinada no que, justamente, perturba-a.
Há, aí também, essa noção de identificação a esse corpo, a esses pensamentos e a essa vida.

A raiva, em seu caso, resulta, efetivamente, do confinamento.
O confinamento manifesta-se pela raiva, geralmente.
Mas a raiva nada resolve, como o medo, um e o outro, cujas direções são opostas ao nível da consciência: a raiva eleva, o medo abaixa.
Mas, em um caso como no outro, nem a cólera, nem o medo permitem escapar da condição da consciência fragmentária.
Assim, portanto, seu olhar que se porta, através dessa questão, sobre a necessidade de compreender ou de explicar, ou de dar sentido ao que atravessa esse corpo e essa personalidade não lhe será de qualquer ajuda, concernente tanto ao Si como ao Absoluto.

Enquanto existe uma necessidade de compreensão, você mesma situa-se na consciência, na ação/reação.
Nenhuma ação, nem nenhuma reação pode romper o círculo vicioso porque, naquele momento, você continua no ator, continua na cena de teatro, e não sabe, mesmo, que existe um teatro.
Você está tão investida no papel do ator que ele é, para você, a única realidade.
Mesmo se você saiba, em algum lugar, que há outra coisa, você não tem disso nem a percepção, nem a consciência, nem a possibilidade de sair, enquanto seu ponto de vista não tenha mudado.

Você pode obter todas as respostas, e o exemplo da ciência, tal como vocês a conhecem, hoje, sobre a Terra, vocês dão a isso a magnífica ilustração: vocês conhecem o funcionamento do átomo, conhecem o funcionamento da célula, e então?
Será que isso dá a resposta a: quem sou eu?
Enquanto você está identificada a células, isso pode bastar.
Enquanto você está identificada à sua psicologia humana, isso pode bastar.
Mas isso não nutrirá, jamais, outra coisa que não a ação/reação.
Você manterá, de modo longo, duradouro, o efêmero, através de uma sucessão de efêmeros, por vezes, cada vez mais dolorosos, por vezes leves, mas que, em definitivo e na resultante, nada mudam, jamais, absolutamente, em sua condição e em seu confinamento.

Compreender como funciona a prisão não permite sair da prisão.
Compreender todos os atos de todas as peças de teatro não permite sair do teatro, não permite, mesmo, identificar o teatro.
Tanto mais que a consciência, que é limitada pelo princípio de amputação, de isolamento e de confinamento, vai, de algum modo, progressivamente e à medida das encarnações e das experiências, satisfazer-se com essa limitação, geralmente, que lhe dá a viver, nessa frustração (porque é uma), elementos calmantes, através do que é nomeada a profissão, através do que é nomeada a afeição, através do que é nomeado o social.
Mas, jamais, uma profissão, jamais, uma relação, jamais, uma sociedade poderá responder, em seu lugar, ao que você É.
E apenas sua própria investigação, para além de todo conhecimento, para além de toda adesão a um rito ou a um dogma é que lhe permitirá reencontrar o fio da Liberdade.

A raiva, como o medo são apenas as consequências da perda do que vocês São, aparente.
Essa perda é ligada apenas ao seu ponto de vista.
Esse ponto de vista que, eu os lembro, é ligado tanto à educação como aos dogmas, como às religiões, como à sociedade, como a tudo ao que vocês aderiram sem fazer a experiência, sem ter a validação interior disso.
Tudo o que vocês aceitam como regra estabelecida, sem tê-lo provado pela experiência ou a vivência, faz apenas reforçar o confinamento, de maneira sistemática.

A raiva é uma emoção.
Toda emoção é inscrita na ação/reação, nenhuma emoção pode escapar dessa regra: é, mesmo, a identificação de uma emoção.
É por isso que, em alguns sistemas tradicionais, provados (seja no Oriente como no Ocidente), foi feita referência a um amplo lugar para tudo o que é emocional, para tudo o que é mental, como elemento que freia ou que acrescenta véus ao confinamento e ao isolamento.

Nenhuma emoção é liberadora.
Nenhuma atividade mental pode liberá-los.
Nenhum dogma e nenhuma crença pode liberá-los.
É preciso, eu repito, aí, aqui também, liberar-se de toda crença, liberar-se de toda certeza e ir para esse Desconhecido, desembaraçando-se de tudo o que é conhecido.

Então, é claro, para o ego, isso é um drama.
E, para o Si, isso é, também, um drama.
Porque há, efetivamente, uma Passagem do eu ao Si, da consciência fragmentária à Consciência expandida, que foi conquistada, se se pode dizer assim.
Enquanto não pode haver conquista do que vocês São, em Verdade, ou seja, Absoluto.

Questão: há uma parte de mim que não compreende, realmente, o que é a refutação, por que esse bloqueio?
 
Quem disse que você devia compreender a refutação?
Você deve aplicá-la.
Será que você compreende como você anda?
Será que você sabe quais são os músculos que estão trabalhando, quais são os nervos que estão trabalhando?
E, no entanto, você anda.

Enquanto há vontade de compreender, você não pode avançar, você continua no lugar, imóvel, no ego.
A refutação não tem que ser compreendida, ela deve ser praticada.
Isso é bem além de uma crença e de uma explicação.
Refutar consiste em afirmar que nada do que é limitado, que nada do que é conhecido pode ser a Verdade.
Nada mais e nada menos.

Se você começa a entrar na necessidade de compreender, reflita: quem quer compreender, se não é o eu?
Porque compreender é tomar.
Ora, aí, trata-se de restituir, é exatamente o inverso.

Tudo o que vocês chamam conhecimento é apenas ignorância.
Tudo o que vocês chamam compreensão é um obstáculo, porque a compreensão recorre a quê?
Ao mental.

Ora, justamente, o elemento que mais freia é o mental.
Portanto, nutrir o mental, através de uma lógica, de uma razão, de uma explicação confina-o ainda mais na ação/reação.
Não procure compreender.
Como eu disse em outras reprises, quanto menos você compreender, mais você conseguirá porque, em definitivo, é sempre o ego que quer compreender, que quer apropriar-se, que tem necessidade de uma lógica que lhe é própria.
Enquanto há isso, você retarda a investigação.
Isso é sugerido pelo ego, obviamente, porque essa refutação e essa investigação, o mental sabe, pertinentemente, que assinala sua parada de morte, e isso, ele não quer.
Portanto, não dê peso a esse gênero de interrogação, desembarace-se dela, o mais rapidamente possível.

Refutar não é compreender, justamente: é exatamente o inverso.
É uma ginástica, você pode chamá-la, mental, se quiser, embora vá, amplamente, além disso.
Mas essa investigação e essa refutação são, muito precisamente, o que vai romper o círculo vicioso.
Esse gênero de questão, para qualquer Irmão e Irmã, faz apenas traduzir a atividade do mental que, por ele mesmo, busca apenas uma coisa: compreender e tomar.

Ora, nós não estamos nesse processo.
A refutação não tem que ser compreendida, ela deve ser aplicada.
Do mesmo modo que a investigação tem que ser efetuada, ela não tem que ser explicada.
O mental, através da questão que você coloca, tenta complicar o que é simples.
Não mais nutrir o mental é refutar tudo o que vem dele, tudo o que é inscrito no efêmero.

Questão: após ter praticado a refutação, eu não consigo mais.
De fato, viver o Si ou o Absoluto, eu não me importo.
Eu me abandono à vida, ao instante presente.
É a personalidade que recusa soltar, ou, efetivamente, é um real Abandono?

Apenas você é que pode ter a resposta.
Aquele que é Absoluto sabe-o, pertinentemente.
Não pode existir qualquer dúvida, qualquer interrogação.
Isso está bem além da personalidade, bem além da certeza e da experiência.

Uma vez a investigação efetuada, uma vez a refutação conduzida, se nada mais há a refutar, o que você quer refutar?
Para além da consciência, o que você É, uma vez a refutação e a investigação efetuadas, você deixa Ser o que você É.
Se, então, a refutação e a investigação foram efetuadas, e concluídas, você É Absoluto.
Mas na condição de que você o saiba, você mesmo.

Nenhuma resposta pode ser aportada do exterior.
Só você sabe o que você É, para além da consciência.
Foi-lhes dito que, no Si, e no instante presente (da vida, como você diz), a vida desenrola-se de acordo com leis ligadas ao Eu Sou, nomeadas Ação de Graça.
Aí onde se manifesta a Unidade, a Fluidez, a Facilidade.
Nessa facilidade, nenhuma atividade mental, nenhuma atividade emocional, nenhum estresse, nenhum evento da vida pode alterar o que você É.
E, aí, você sabe, pertinentemente, que você É Absoluto.

Qualquer que seja sua vida, você está consciente de que não é, unicamente, isso, mas que você É bem mais do que isso.
A vida manifesta-se, então, sem resistência, sem oposição, sem imposição, sem mental que o domine e sem emoção que o domine.
Mas, enquanto existe o sentido de uma questão no interior de si, é claro, o Absoluto não pode ser o que você É.

O Abandono do Si, como o Abandono à Luz, realiza-se e dá-lhe a viver a ausência de interrogação.
Se sua vida, então, desenrola-se assim, na maior das facilidades, isso é um testemunho.
Mas, eu repito, aquele que é Absoluto sabe-o.
Não como uma possibilidade, não como algo de provável, mas, efetivamente, como uma evidência de cada minuto, de cada noite, de cada sopro porque, naquele momento, você não está mais confinado em um corpo, você não está mais confinado em uma sociedade, você não está mais confinado em um mundo, você É Amor.
E isso é vivido, plenamente, além de toda Vibração, além de todo evento, além de todo traumatismo, como de toda Alegria.

Essa Permanência, essa Imanência é a realidade que é vivida no Absoluto.
A forma, esse Absoluto com forma, essa forma não pode ser, de modo algum, um fator limitante, contrariamente ao que é vivido no eu ou no Si.
E isso é vivido claramente, de maneira autêntica.
Do mesmo modo que você pode andar, você sabe que anda, sem ter necessidade de portar sua consciência no andar.
É o mesmo para o Absoluto, para esse Final.

Uma vez que a investigação e a refutação foram efetuadas há, efetivamente, um determinado instante em que isso não pode mais ser prosseguido.
Apenas você é que pode saber se tudo foi realizado, nesse nível.
O Absoluto não tem questão: ele É.
E ele é independente da forma, mesmo no Absoluto com forma.
Ele é independente do que vive esse corpo.
Ele é independente de toda noção de memória ou de história.
Não existe qualquer contingência, qualquer limite.
A consciência é, ao mesmo tempo, esse corpo, como em qualquer outra projeção, como na ausência de projeção.
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2 comentários:

  1. Ser Absoluto define novos quadros que são constituídos pela ausência de quadro e ausência de limite <> A reintegração na Fonte, a pulsação do Absoluto – se se pode chamá-la assim, embora isso a nada corresponda que lhes seja conhecido – é uma emanação de Amor, que se contempla a si mesma <> Enquanto existe, na consciência – seja do eu ou do Si – a necessidade de experimentar, a necessidade de projetar-se, o Absoluto não pode aparecer, enquanto ele já está aí. É preciso, portanto, que haja, de algum modo, uma extinção total da consciência <> Seja a consciência fragmentária da personalidade, seja a consciência expandida ou a Supraconsciência do Si, tudo isso deve cessar, como se o tempo parasse, como se o espaço não existisse mais, a fim de que a própria consciência pare de observar-se, pare de ver-se e pare de ser vista, ela mesma, em qualquer Dimensão que seja <> Enquanto vocês se apoiam em uma crença, enquanto se apoiam em um conhecimento, qualquer que seja, vocês estão na ignorância a mais total. O que vocês chamam conhecimento – no sentido humano – é apenas ignorância <> Se vocês aceitam essa ignorância, então, penetram o conhecimento, porque vocês São o conhecimento. Sendo o conhecimento, sendo Amor e Luz, vocês não podem, em caso algum, através de qualquer projeção, apreender isso <> Vocês devem aceitar morrer para si mesmos, a fim de renascer <> Refutar consiste em afirmar que nada do que é limitado, que nada do que é conhecido pode ser a Verdade. Nada mais e nada menos <> Não mais nutrir o mental é refutar tudo o que vem dele, tudo o que é inscrito no efêmero <> Só você sabe o que você É, para além da consciência.

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  2. Bidi está detonando de vez, 'Ele' está 'Lindo':

    "Apenas a refutação de tudo o que é conhecido – seja esse corpo, como o conjunto de corpos ditos sutis – é que permitirá, num primeiro tempo, romper o hábito da identificação a tudo o que constitui a vida nesse mundo.
    Ser nada aqui, como eu disse, permite Ser Absoluto.
    ...que lhes permite extrair-se de tudo o que faz o efêmero e o ilusório...romper o círculo vicioso do mental,...Ser Absoluto define...
    Seja a consciência fragmentária da personalidade, seja a consciência expandida ou a Supraconsciência do Si, tudo isso deve cessar, como se o tempo parasse, como se o espaço não existisse mais, a fim de que a própria consciência pare de observar-se, pare de ver-se e pare de ser vista, ela mesma, em qualquer Dimensão que seja.
    Isso realizado transforma, totalmente, sua vida, tanto aqui como alhures porque, naquele momento, vocês não estão mais – ao mesmo tempo estando no Absoluto – em uma forma, limitados por essa forma, de maneira alguma.
    Eu resumiria isso dizendo que o único obstáculo para Ser Absoluto é o medo.
    Vocês devem estar livres de toda crença.
    Vocês devem estar livres de todo apego.
    Vocês devem estar livres de todo conhecido.
    É nesse nível que vai agir a refutação.
    O conjunto de conhecimentos – mesmo os mais elaborados – é apenas ignorância, porque nenhum dos conhecimentos, quaisquer que sejam (astrológicos, espirituais, religiosos), pode dar-lhes acesso à Verdade, mas, simplesmente, a crenças, às quais vocês aderem ou não.
    É nessa condição que o Desconhecido pode ser revelado e que o Absoluto é realizado, no sentido da Liberação.
    O que vocês chamam conhecimento – no sentido humano – é apenas ignorância.
    Os tempos que vocês vivem, como vocês sabem, são específicos.
    Eles requerem de vocês uma noção de despojamento, de não aderir ao que quer que seja que não é vivido.
    O Absoluto é,...É uma deslocalização total de sua consciência, que não está mais submetida às leis desse mundo, ao mesmo tempo mantendo a forma, ao mesmo tempo mantendo suas vidas.
    É uma deslocalização total de sua consciência, que não está mais submetida às leis desse mundo, ao mesmo tempo mantendo a forma, ao mesmo tempo mantendo suas vidas.
    Mas, jamais, uma profissão, jamais, uma relação, jamais, uma sociedade poderá responder, em seu lugar, ao que você É.
    A refutação não tem que ser compreendida, ela deve ser praticada.
    Refutar consiste em afirmar que nada do que é limitado, que nada do que é conhecido pode ser a Verdade...o elemento que mais freia é o mental.
    A vida manifesta-se, então, sem resistência, sem oposição, sem imposição, sem mental que o domine e sem emoção que o domine.
    O Absoluto não tem questão: ele É."

    Maravilha..Bençãos...
    Noemia

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