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9 de abr de 2012

BIDI – 9 de abril de 2012

Mensagem publicada em 9 de abril, pelo site AUTRES DIMENSIONS.

Áudio da Mensagem em Francês Link para download: clique aqui



Bem, BIDI está de volta entre vocês.
Eu me regozijo por reencontrá-los entre vocês e eu.
Então, num primeiro tempo, vamos, se efetivamente quiserem, continuar a examinar, a pesar e a sopesar suas questões, nas mesmas circunstâncias e condições como no dia anterior.

Eu peço, portanto, sua escuta e o fato de ouvir e deixar vir o que vem a vocês, sem interferir, de maneira alguma, sem opor-se, simplesmente, acolhendo, como eu os acolho,
Nós podemos encarar a primeira questão.

Questão: em nossa chegada a essa Dimensão, estrutura perfeita e Ilimitada, como é possível ter chegado tão baixo, nessa Dimensão, em Vibração e em Consciência? Por que?

Esse mecanismo é chamado a descida.
Essa descida é ligada a um ponto de vista, cada vez mais estreito e limitado, que engaja, de algum modo, a consciência em sua própria limitação (numa autolimitação) que vai, progressivamente – em tempos extremamente longos – conduzi-la a isolar-se e separar-se, cada vez mais.
Isso foi descrito em numerosos textos, muito antigos, que falam de eras e de épocas que se sucedem e que conduzem, progressivamente, a consciência a descer, de algum modo, no baixo do esquecimento.
Mas isso tem apenas um tempo.

A partir do instante em que, mesmo o mental, seja capaz de olhar-se, em toda honestidade, em toda lucidez e de maneira lógica, ele vem, efetivamente, considerar isso como um processo absurdo, contrário.
A problemática é não tentar responder a esse gênero questão, porque, é claro, ela vai levá-los, não unicamente a constatar o estado da consciência, mas, bem mais, a encontrar causas.

Ora, eu os lembro, o Absoluto não tem causa.
Querer procurar uma causa – uma explicação – remeterá, sistematicamente, a essa causalidade e, portanto, a essa Dualidade.

Coloque-se a questão de porque há essa questão.
Quem tem necessidade de explicar ou de lamentar?
Qual é esse afastamento do que você É, que permite interrogar-se sobre o que você considera como triste ou como anormal?
Não considere o que é anormal, mas veja apenas o que é normal.

Do mesmo modo que a dualidade consiste em ver o bem e o mal, a Unidade consiste apenas em ver a Unidade e não deixar-se arrastar, de maneira alguma e de modo algum, a dissertar, a colocar-se questões sobre o bem e o mal, porque a equação do bem e do mal, pela própria natureza, é insolúvel.

Quaisquer que sejam os aspectos importantes, levados por uma vida no serviço, na devoção, quaisquer que sejam as concepções filosóficas ou, mesmo, espirituais (concernentes ao bem e ao mal), elas não desembocarão, jamais, numa solução, porque a solução não é desse mundo, porque a solução não está na Dualidade e nenhuma solução pode existir enquanto exista um antagonismo.

Eu falava, ontem, de duas extremidades de um limite.
Não é porque vocês chegam a uma extremidade de um limite que vocês conhecem o conjunto de limites, a outra extremidade, mas, sobretudo, que vocês estão aptos a superar esse limite.
Vocês devem, literalmente, extrair-se dessa noção de causalidade.
Essa causalidade permite explicar esse mundo e unicamente esse mundo.
A causalidade permite exprimir as leis da ação/reação, as leis da Alma, mas, jamais, a lei do Absoluto, porque o Absoluto conhece apenas uma única lei, que é aquela da própria Unidade Abandonada, ou seja, o próprio princípio da Unidade.

O fator causal, qualquer que seja (em sua vida, na história da vida sobre este planeta) remete, necessariamente, aí também, a um início e a um fim.
A causalidade, em si mesma, não pode, portanto, ser inscrita no Absoluto e não pode tirar, mesmo, sua lógica, a partir do Absoluto.
A causalidade (ação/reação, início e fim) inscreve-se numa história e não na Verdade, porque toda história é inscrita num tempo linear, em alguns limites que são, também, os seus, mas que não correspondem à Verdade.

A história é, de algum modo, o esqueleto do que resta da vida.
As carnes partiram.
Resta algo que está congelado.
Resta algo que não participa da Vida.
Hoje, é-lhe solicitado ser a Vida.
O Apelo da Luz faz ressoar, em você, não mais a causalidade, mas, efetivamente, a sede de Absoluto.

Mesmo se essas palavras sejam-lhes desconhecidas, mesmo se elas lhe pareçam fora de toda causalidade e, portanto, de toda possibilidade, não é menos verdadeiro de que é a única Verdade.

Colocar-se como Absoluto – ousar colocar-se assim – vai pôr fim, de maneira extremamente rápida (devido à própria investigação sobre o que é o Si, sobre o que é o ego e, portanto, sobre o que não é o Absoluto), vai conduzi-los às portas do que o ego chama o neant e, portanto, a experimentar e a viver a experiência que é Absoluta.

Certamente, em momentos-chave, foi oportuno que lhes dessem (ou que lhes fosse dado, uma vez que eu não participei) certo número de elementos concernentes à história.
Simplesmente, para mostrar-lhes e demonstrar-lhes a qual ponto a história pode ser deformada, arranjada, desviada e ser agenciada de tal maneira que ela os desviará, sempre, da Verdade.
Porque elas (essas histórias) arrastam-nos a crer em histórias, e não em vocês.
O ser humano tem necessidade de histórias enquanto ele inscreve sua consciência na causalidade.
Logo que ele inscreva sua consciência nas esferas do Absoluto (e mesmo no Si), a história não tem mais sentido.
Ela não tem mais direção.
Ela não tem mais lógica e não tem mais justificação.

A história é apenas o álibi que é fornecido à vida que recusa conhecer-se.
A história é apenas uma segunda opção que quer dar, ao mental, a certeza de que ela pode explicar seu presente pelo passado.

Ora, nenhum presente é explicável pelo passado.
Tudo o que crê ser explicado, por uma consequência de um passado, inscreve-os, ainda mais, numa ilusão.

É claro, aqueles que têm tendência a querer que a história repita-se e não conduza ao fim da história vão criar, de algum modo, cerimônias, comemorações, princípios de aniversários, que vão, portanto, manter, de algum modo, o peso do passado em seu próprio presente.

Vocês não fazem, aliás, melhor, quando festejam um novo ano, um aniversário ou uma festa – qualquer que seja – em data fixa, porque, naquele momento, vocês comemoram o passado.
Vocês fazem viver e reviver o passado em seu presente, no qual nada há a fazer.
Porque, enquanto o presente – que vocês vivem – é colorido de qualquer passado, vocês não podem pretender a Unidade, vocês não podem pretender o Absoluto e não podem viver esse Absoluto.

É preciso, portanto, efetivamente, descondicionar, desempoeirar, eliminar, refutar tudo o que não é o Instante.
O Absoluto está presente apenas no Instante.
O único modo de encontrá-lo – o único modo de manifestá-lo – é viver, inteiramente, o Instante.
Não há passado.
Não há futuro.
Há apenas o Instante em que desabrocha o Absoluto.
Apenas parando o tempo, de algum modo (seu tempo linear), é que vocês podem, real e concretamente, tocar o Absoluto e vivê-lo.

Qualquer que seja o elemento que vocês tenham vivido, qualquer que seja o efeito que ele implica em seu presente, vocês não são isso.
Enquanto vocês atribuem crédito a isso, não podem viver o Absoluto.
Façam a experiência.
Eu repito, não me acreditem.
Experimentem e vejam por si mesmos, se essa lógica aplica-se na vida.
Saiam, portanto, da história.
Saiam, portanto, de toda história, porque vocês não são uma história, qualquer história.
Manter a história, manter uma lenda pessoal afasta-os, de maneira importante, do Absoluto e da Verdade.

Tudo o que vocês fazem reviver – em pensamentos, em emoções, em ritos, em rituais, em comemorações, em datas – não tem sentido algum para o Absoluto.
Cabe a vocês ver.

Coloque-se, simplesmente, a única questão que vale a pena: que Sou eu?
E, quando você vê, por si mesmo, que não pode definir o «que Sou eu» ou o «Eu sou», você abandonará o «Eu sou» para o não ser.
O que quer que diga o ego, porque essa aproximação do Absoluto é de uma lógica implacável.
Essa investigação – se é levada ao seu termo – conduzi-los-á, como a Vibração, além de toda manifestação, além do ser e do não ser, para estabelecê-los, num primeiro tempo, ao não ser, no qual existe o Ser e que confere – se se pode dizê-lo – o Absoluto.

Vocês devem estar, de algum modo, plenos.
Plenos, não de interrogações, mas plenos de certeza do Absoluto, não como crença, mas como refutação do que é relativo, refutação do que é efêmero, refutação do que é limitado.

A cada minuto de sua vida, retenham, efetivamente, que não é uma despersonalização ou uma retirada da vida, mas, bem mais, uma transcendência da personalidade, que os faz penetrar na Vida.
Não aquela que seus olhos dão a ver.
Não aquela que suas palavras definem-nos.
Não aquela que vocês podem tocar, mas aquela que vocês são, além de qualquer sentido.

É preciso, portanto, desviar-se da causalidade.
Esse desviar da causalidade – exprimido diferentemente – pode ser, portanto, não julgar, mesmo o princípio de queda, mesmo a causalidade que criou essa consciência limitada.

O não julgamento é o fato de não portar um olhar separado e dividido.
Não há melhor modo do que viver o Absoluto.
Eu os lembro de que, no Absoluto, não pode existir qualquer limite, qualquer separação, qualquer consciência outra que não aquela que vocês são – reagrupando o conjunto de outras Consciências – e desembocando, de maneira inevitável, na Consciência que não é a inconsciência.
Saiam, portanto (e saia, portanto), da causalidade.
A causalidade corresponde ao corpo.
Ela corresponde às leis da alma.
Esse corpo tem fome: é necessário nutri-lo.
A alma tem sede de experiências: é preciso fornecer-lhe experiências.
A alma ama amar, no sentido da posse, no sentido da experimentação, na matriz (tal como vocês a nomeiam).
A alma é, portanto, inscrita na causalidade.
Vocês não são a causalidade.
Vocês não são, portanto, nem esse corpo, nem essa alma, nem esse espírito, nem essa vida, nem esse passado.
Vocês são a Vida.

Se vocês posicionam seu olhar desse modo, constatarão que não se trata, absolutamente, de uma negação da vida, mas, bem mais, de uma entrada na Vida e que, com extrema rapidez, os processos em curso, atualmente, serão seus.
Não há outra solução.
Não há alternativa.
Não há outra possibilidade que não aquela de ser Absoluto ou refutar o Absoluto (do ponto de vista do ego ou do ponto de vista do Si).

Reflitam, simplesmente (se é que vocês podem defini-lo): o que existe na personalidade, o que existe na alma como objetivo?
Olhem esse objetivo e compreendam, num segundo tempo, que não pode existir objetivo futuro, porque todo futuro afasta-os, eu repito, de sua Presença e do Absoluto.

É claro, a lei de ação/reação vai tudo fazer para mantê-los em suas redes.
Ela lhes dá a compreender – e a apreender – as leis: aquelas da encarnação, aquelas do carma, aquelas da astrologia, aquelas da energia.
Ela vai dar-lhes um conjunto de explicações, diretamente religadas à causalidade, e tudo funciona assim nesse mundo.

Mas eu terminarei dizendo que você está além de toda causalidade.

O que você quer ser?
O que você quer manifestar?
O que você É, em Verdade, ou a causalidade na qual você é afetado?
Cabe a você ver.

Questão: por que esse mundo da Dualidade foi criado? É porque, no mundo do Absoluto, do Ilimitado, o tédio existe?

Eu lhe responderia que aquele que coloca essa questão entedia-se, verdadeiramente.

A Felicidade, o Êxtase e o Íntase do Absoluto não podem, em caso algum, ser um tédio.
O único tédio é aqui.
Tudo os aborrece: as necessidades fisiológicas, a necessidade de ganhar sua vida, a necessidade de manter e de portar sua consciência, permanentemente, sobre um corpo, sobre relações, que passam por ferramentas incompletas, chamadas a linguagem.

De outro lado, o mundo do Absoluto não pode existir.
O Absoluto não é um mundo.
Ele não é um universo, nem mesmo um multiverso.
Ele está além de tudo o que é criado.
Ele é o apoio de toda criação.
Não foi o tédio que causou o que quer que seja.
O Absoluto não pode, em caso algum, ser um tédio de espécie alguma, uma vez que, com algumas palavras, pode-se defini-lo como: Ilimitado, perfeito, pleno, vazio, Eterno, Gozo, Êxtase e Íntase, sem tempo e sem espaço.

No que o tédio poderia nascer disso?
Não mais do que existe uma necessidade de experimentar.
Porque quem diz experiência, no limitado, conduz a introduzir, sistematicamente, uma noção de evolução ou de involução e, portanto, um princípio, mesmo, de causalidade.
Enquanto vocês pensam assim, efetivamente, o mundo do Absoluto pode parecer-lhes entedioso.

A experiência, acima de tudo, é apenas a busca do Absoluto.
Como é que o que é Absoluto poderia limitar-se, a si mesmo, para, depois, reivindicar o Absoluto?
Tanto mais que a perfeição é inicial e não final.
Qual interesse haveria, para o Absoluto, em tornar-se relativo?

Então, é claro, do ponto de vista do relativo, é muito sedutor falar de experiência (de conhecer-se a si mesmo, através do observador, através da existência de um sujeito e de um objeto), mas é uma visão fragmentária.

O Absoluto, estando fora de todo tempo, fora de toda linearidade, simplesmente, para ele, o mundo não existe.
Simplesmente, para ele, o limitado não tem substância alguma.
O tédio é, antes, ter o conjunto de suas ocupações, mesmo observando a beleza, porque observar a beleza obrigá-los-á, na linearidade, num dia ou noutro, num instante ou noutro, a ocuparem-se, ainda que apenas de suas necessidades fisiológicas.
Pelo menos, entrar no Samadhi (como alguns seres o realizaram), pelo menos, entrar no Absoluto, mantendo uma forma, eu não vejo por qual razão haveria qualquer tédio.
Eu posso assegurar-lhes que são vocês que são o tédio.

Qualquer que seja seu entusiasmo, quaisquer que sejam suas capacidades de Alegria, quaisquer que sejam suas instalações no Samadhi, isso não é Absoluto.
Apenas a saída do tempo linear do espaço, do espaço-tempo (não como uma negação, mas, efetivamente, como uma acepção lógica), apenas naquele momento é que vocês superam e transcendem o tédio desse mundo.

O Absoluto não é um mundo.
Eu diria que ele é a Transcendência do mundo e, portanto, mesmo se os mundos pareçam existir no interior do Absoluto (presença do relativo no Absoluto), isso é apenas uma visão – eu repito – parcelada e limitada.

O Absoluto não tem necessidade de qualquer experiência, de qualquer memória.
Ele é, de toda a Eternidade, perfeição e beleza, que se bastam a ele mesmo, sem qualquer projeção, sem qualquer experiência.
A experiência (sobre esse mundo como em outros mundos) é, em definitivo, apenas um afastamento – Vibratório, espacial e temporal – que os faz crer tudo o que vocês podem crer (ou não ousem crer).
Mas o conjunto dessas crenças representa, em definitivo, apenas uma falta de Luz, apenas uma falta de Amor.

O ser humano passa seu tempo a projetar o amor, e ele diz que ama.
Mas vocês não podem Amar e não podem dizê-lo, porque sua natureza – e sua Essência – é Amor.
E vocês não podem conhecer o que vocês são, do ponto de vista limitado.
Vocês podem apenas projetar – sobre a tela da consciência – um objeto.

Tornar-se o testemunho – ou o observador – do que vocês projetaram (de uma obra criada, de um trabalho criado, de um estudo efetuado, de uma relação de casal, de uma relação de mãe a filho), mas vocês não podem conhecer o que vocês São.
Vocês podem apenas exteriorizar, nesse mundo, uma ação e uma reação e tentar – nessa ação e nessa reação – encontrar, de algum modo, um fio condutor que não existe entre o limitado e o Ilimitado.

O único tédio é ser relativo.
Ser Absoluto não se acompanha de qualquer tédio.
Apenas a consciência do ego coloca essa questão, porque o ego é inscrito numa realidade dita tridimensional e, portanto, num dado espaço-tempo, que dá a impressão de que há experiências a efetuar, uma avidez – avidez que permitiria tocar o Ilimitado – o que, obviamente, não pode, jamais, acontecer.

Nenhuma experiência desse mundo, nenhum trabalho desse mundo, nenhuma evolução ilusória desse mundo conduzi-los-á a viver o Absoluto.
Apenas quando vocês renunciam, apenas quando abandonam o próprio Si é que o Absoluto desvenda-se e torna-se o que vocês São.

Lembrem-se: não existe qualquer solução de continuidade.
O Absoluto é uma revolução, não, unicamente, uma mudança de ponto de vista – como eu o disse ontem – mas, bem mais, uma revolução, na qual vocês são obrigados a fazer cessar (de uma maneira ou de outra), sem negá-las, o conjunto de manifestações de causalidade, cuja primeira é esse corpo.

Vocês estão nesse corpo, mas, em caso algum, vocês são esse corpo, mesmo sendo um Templo.
É claro, é preciso nutrir o Templo, mantê-lo.
E, aí, começa o tédio, mesmo se vocês gostam de lavar-se porque, obviamente, há reprodução.

Então, é claro, há consciências que gostam da reprodução, porque isso dá uma certeza de refazer os mesmos gestos, de reproduzir os mesmos atos: comer a tal hora, deitar a tal hora, levantar-se a tal hora (exceto no fim de semana).
Tudo isso os leva, inevitavelmente, a uma rotina na qual nada é novo.

Se vocês olham bem, tudo é antigo, tudo é usado.
Só o mundo é belo, porque ele manifesta – no que ele lhes dá a ver – os ciclos, as estações.
O Sol levanta-se, sempre, no mesmo lugar.
Ele deitará, à noite, no mesmo lugar.
É uma certeza (ao menos até certo ponto), e vocês a têm vivido até então.
O tédio está aqui.
Certamente, não no Absoluto.
E não existe mundo do Absoluto.

Questão: as resistências para viver o Absoluto sempre foram mais fortes, enquanto a escolha primeira é de viver no Absoluto, aqui, sobre a Terra. Por que?

Você não pode viver o Absoluto.
Você pode apenas viver a Vida.
O Absoluto está além de toda a vida.
É proposto viver o Absoluto num relativo chamado essa forma, esse corpo e essa vida, porque as circunstâncias – os ciclos desse mundo – tocam um patamar, uma Transcendência, aí também.

Quando o efêmero dessa vida desaparece (uma vez que ela é inscrita entre o nascimento e a morte), o que subsiste, naquele momento, continua confinado.
Com outras regras, outras leis, mas é, ainda, um confinamento.

Hoje, é diferente.
Há, portanto, uma maior facilidade para extrair-se, de algum modo, de um ponto de vista dualitário.
O que foi aberto, ao nível da Luz (o Despertar ao Si, a realização do Si), não foi, certamente, um erro, mas, efetivamente, uma etapa essencial para o Absoluto.

É claro, é sempre possível crer – e esperar – que o Si vá tornar-se Absoluto.
O Si não pode, em caso algum, tornar-se Absoluto, porque o Si é pôr fim à separação do ego e inscrever a consciência e a vida na não separação, no não distanciamento.
Há, realmente, possibilidade de Comunhão, de reunião, mas não de dissolução.
O Absoluto dá-lhes a viver todas as vidas de todos os mundos.
O Acesso ao Absoluto ou, antes, o Despertar ao Absoluto (que sempre esteve aí) tornou-se muito mais fácil, hoje, pelo desaparecimento do que havia sido chamado, eu creio, as franjas de interferências do astral, que lhes ocultavam, literalmente, a Verdade.

Apreendam, efetivamente, que não é questão de viver o Absoluto, mas ser o Absoluto.
Ser Absoluto é além de todo estado de ser.
É, também, poder colocar-se de não importa qual ponto de vista dessa forma ocupada que é o corpo, como qualquer outro corpo.
É, portanto, a Liberdade, a verdadeira.
Não aquela de pensar, na prisão, que se pode sair da prisão.
Não aquela de construir hipóteses ou justificações ao fato de estar na vida, porque tudo isso gira em círculos.
Não existe saída.

O ego e a noção de evolução fizeram-nos crer – e aderir – ao fato de que isso será melhor amanhã.
Mas, absolutamente, nada há de melhor possível amanhã.
Aliás, amanhã não existe, nem ontem.
Enquanto vocês consideram que existe um amanhã, enquanto consideram que existe um ontem, o Absoluto não bater à sua porta.

Eu falo, aí, é claro, do que vocês nomeariam as Leis do Espírito, porque nada impede o corpo de estar inscrito num emprego do tempo e esse emprego do tempo desenrola-se, tranquilamente, sem nada fazer no sentido de um investimento da consciência, ao mesmo tempo fazendo, perfeitamente bem, o que há a fazer.

É uma mudança de olhar, é uma mudança de ponto de vista.
É uma mudança, interior, de posicionamento no qual, justamente, vocês saem de toda posição, no qual vocês não adotam mais uma posição, mas, efetivamente, algo além de qualquer coisa, no Amor que vocês São e na Luz que vocês São, sem ter necessidade de projetar qualquer amor, qualquer luz.

Lembrem-se: vocês são Amor Luz.
Vocês não são o amor que projetam.
Vocês não são a luz que podem ver porque, em definitivo, o ar não pode ver o ar e a água não pode ver a água.
Vocês estão, exatamente, na mesma situação: vocês não podem ver o que vocês São.
Vocês podem apenas ver o que vocês não são e, portanto, refutar tudo o que veem no que vocês não são.

E, aí, vocês terão a surpresa de constatar que não existe mais freio para o Absoluto e que o traçado (ou o marcador) do Absoluto, a Onda de Vida, partirá ao assalto desse templo ilusório (que é o corpo), de seus corpos inferiores, dando-lhes a viver a Onda, do Interior, e não mais do exterior, num corpo.

Vocês estão, eu diria – se se pode dizê-lo – em plena fase de verificação, de validação do Absoluto.
Ninguém lhes pede para crer no que é inacreditável.
Ninguém lhes pede para aderir ao que vocês não podem aderir.
Apenas vocês é que podem testemunhar a si mesmos, além do testemunho do objeto, além do observador e do observado e além de toda projeção não importa de qual palavra.

Questão: qual é a crença que me freia para abandonar-me ao Absoluto?

A mais irresistível das crenças: você mesmo.
Enquanto você crê na mínima parcela desse corpo, enquanto crê no mínimo elemento da história, você está inscrito no efêmero.
Nenhum efêmero permitirá a você aceder ao Absoluto.

É claro, existem condições preliminares, ligadas à própria estrutura da vida sobre esse mundo, inscritas, é claro, na personalidade – no ego – e, também, no Si.

Sem entrar em detalhes demasiado complexos, o que freia é a negação do Absoluto, porque o ego tem, sempre, por objeto (por função), para apreender algo que lhe seja desconhecido, fazê-lo dele, na descrição, numa vivência, numa experiência.

O Absoluto não pode ser guardado no ego, na pessoa, nem mesmo no Si, uma vez que o Absoluto É, banha tudo, incorpora tudo.
Querer apreender-se dele, querer conhecê-lo é impossível.

A maior das resistências situa-se, é claro, nesse nível, e em nenhum outro lugar.
A crença em si mesmo é o freio o mais potente.
Mas você não é, tampouco, esse freio.
Aliás, quem freia, se não é o que você mesmo construiu, o que você mesmo vislumbrou?

Gostaria de dizer-lhe que nada mais é preciso vislumbrar, em qualquer futuro e em qualquer passado, para viver o Absoluto e, portanto, ser Absoluto.
A crença no fato de viver o Absoluto conduz a Ser Absoluto.
Há, de algum modo, um sinal portador – marcador ou testemunho – da instalação de algo de desconhecido: é a Onda de Vida e a Transcendência dos centros de energias inferiores.
Mas não deem, tampouco, pesos a tudo isso porque, se vocês ali atribuem mais peso do que o necessário, isso vai, também, cristalizar-se, isso vai, também, limitá-los e concorrer para manter os limites do confinamento.

A melhor atitude, é claro, é a espontaneidade da criança.
É aquela que está, totalmente, imersa na experiência.
Sem julgamento, sem ponto de referência, sem projeção.

Enquanto existe um julgamento, um ponto de referência, uma projeção, você não é a criança.
E, portanto, o Absoluto não pode vir bater no que você É.
É a você que cabe criar as circunstâncias preliminares ao Absoluto.
Isso é, em parte, aquilo de que falei: a investigação sobre tudo o que você não é, porque isso é efêmero.
Isso consiste em eliminar tudo o que constitui sua vida e esse mundo.
Não para dele fugir, eu insisto.
Mas, efetivamente, para refutá-lo como suposição inválida – e invalidada – pela própria lógica, além de todo mental.

O sono, a investigação, a compreensão do que representa o testemunho, o testemunho, o sujeito, o objeto, o experimentador e o que é experimentado inscrevem-se, em definitivo, numa futilidade.
Aceitar essa futilidade é, já, um grande passo.
Não de vocês, mas do Absoluto para vocês.

Questão: algo se instala em mim, que eu não conheço, e eu me sinto estranha, ou mesmo estrangeira. Eu vivo, ao mesmo tempo, a consciência do nada e uma plenitude. Eu me sinto levada pela vida e eu deixo. Há como um apagamento de mim mesma e uma distância, em relação a esse mundo, Eu não tenho medo, nem palavras, nem espera. Poderia esclarecer-me sobre o que eu não vejo em mim?

Aceite que menos você vir em você, mais você será Absoluta.
O que não pode ser percebido, o que é, portanto, percebido, o que não pode ser posto em palavras, nem mesmo em Vibração, essa estranheza, assim como você a nomeia, é a morte do ego.
É preciso esvaziar, é preciso deixar-se limpar e lavar.
Essa fase é mais ou menos longa.
Ela requer, assim como você o diz, certa forma de neutralidade.

A Casa está limpa, você pode, portanto, Desposar seu Duplo.
Esse Casamento, que é uma aproximação, pode desenrolar-se num tempo, ilusório, mas que é vivido como tal.
É o estado em que nada mais há a observar, no qual nada é observável, nada é visto, nada é percebido.

Isso poderia parecer vazio, mas não é vazio.
É, muito exatamente, quando isso dá a impressão de durar, a preparação, de algum modo, para suas próprias Núpcias e, portanto, para o Absoluto.

Se eu posso exprimi-lo assim, aproveite-se disso, porque aproveitar-se disso é nada fazer, nada temer, o que põe fim a toda dúvida, a toda espera e, também, a toda impaciência.

Nesse estado de vacuidade – que alguns movimentos buscaram, que algumas filosofias buscaram – instala-se o Absoluto.
Portanto, você apreendeu, e viveu, e aceitou que nada há a procurar, nada a encontrar.
Esse neant, que não é um, é, irremediavelmente, o fim do ego.

O vaso está pronto para ser preenchido.
O Esposo e a Esposa têm-se à porta, jamais partiram.
Aproveite, se eu posso exprimir-me assim, dessa vacuidade que é, de algum modo, uma antecâmara do Absoluto.
Porque, se você está vazio de si mesmo, você pode, então, estar pleno do que você É.
Esvaziar-se de si mesmo é, muito exatamente, o que é nomeado o Abandono do Si.
É transcender o «eu sou».
É o momento em que a consciência constata que nada há a observar, que nada é observável, e que o próprio fato de observar é um incômodo.

Há, portanto, mecanismo de Núpcias Místicas, em progresso.
Aceitar e viver não mais estar pleno de pensamentos (ou seja, de Ilusão), não mais estar pleno de esperança (que é projeção no futuro), instala-o, de algum modo, num estado além da esperança, que poderia ser nomeado a Esperança, mas que é, antes de tudo, plenitude.
São, de algum modo, os últimos jogos da Ilusão, o que permite apreender que nada pode estar vazio, e que nada pode estar pleno, e que isso não se situa entre os dois.
Essa fase não pode ser chamada um estado porque, justamente, nenhum estado está instalado.
A vacuidade é a plenitude, a plenitude é vacuidade.
Essas duas palavras, além de todo significado, são aquelas que representam o melhor, essa fase prévia ao Final.
Sobretudo, nada faça, sobretudo, nada empreenda.
Isso dito, não o impede de fazer o que há a fazer, na vida desse corpo, de suas obrigações.
Mas, simplesmente, não se implique, faça o melhor que puder.

O que você vive não é uma espera, o que você vive não é um vazio ou um pleno, são os dois.
É nessa fase que a Onda de Vida pode criar sua Verdade, porque você É a Onda de Vida.
Há, portanto, um processo de desidentificação, uma morte, no plano simbólico, de tudo o que não é Verdadeiro.
É essa fase que você vive.

Sobretudo, nada julgue.
Contente-se, ainda por pouco tempo, em ser aquele que observa o que vive isso.
Muito em breve você irá além.
Esse «muito em breve» não é inscrito numa linearidade, temporal, nem em outro espaço, mas, efetivamente, numa forma de acuidade de si mesmo.

Algumas experiências intermediárias são possíveis nesse estado, nessa fase, que vêm, se se pode dizê-lo, confortá-lo no fato de que você não seja esse corpo e, ainda menos, essa pessoa.

Então, aproveite e desfrute dessa fase, porque ela é prelúdio ao Casamento Místico.
Deixe fazer, totalmente.

Questão: o Absoluto está além, portanto, das hierarquias de Dimensões (quinta, décima primeira, décima oitava etc.), seria como o retorno à FONTE? Portanto, se se vai para o Absoluto, qual é o interesse da quinta Dimensão?

Você pressupõe, equivocadamente, que o Absoluto é assimilável à FONTE.
A FONTE, por essa própria palavra, significa a você uma origem e um fim.
O Absoluto é além da origem e do fim.

A Dimensão, qualquer que seja seu número, é apenas uma representação, uma gama de Vibrações, uma gama de exploração da consciência.
O Absoluto e a FONTE lembram a você, mas lembrem-se, você, eu é livre de estabelecer-se onde bem lhe pareça.
Simplesmente, deve ser-lhe lembrada a existência da FONTE, pela experiência da FONTE, pelo acesso ao Absoluto.
Se você É o Absoluto, você tem toda latitude e Liberdade para ali permanecer, ou manifestar-se em qualquer Dimensão que seja.

Se sua gama de frequências, sua gama de vida, a partitura que você toca está incompleta e, contudo, permite-lhe ver a completude existente no Absoluto, você é livre para crer que existem experiências a efetuar em outros mundos, em outra Dimensões, em outros estados.

Isso faz parte de sua liberdade, mas convenha, isso, estritamente, não tem qualquer interesse do ponto de vista do Absoluto.
Então, o que o impede de ser o Absoluto, uma vez que, obviamente, há um impedimento?
O impedimento é diretamente ligado à dúvida e ao medo.

Você não pode conhecer o Absoluto do ponto de vista em que você está.
O ponto de vista no qual você está deve desaparecer, ele deve aniquilar-se.

Lembre-se de que não é possível vislumbrar qualquer continuidade entre o conhecido e o Desconhecido.
Você não pode permanecer no conhecido e viver o Desconhecido.
É preciso deixar o Desconhecido tomá-lo, e você se aperceberá, em seguida, que o limitado ainda está presente.

Mas, antes, isso é apenas uma suposição, isso é apenas uma crença, porque você não a viveu.
Simplesmente, inúmeras estruturas disseram-lhes que lhes seria feito segundo sua Vibração, se você prefere, segundo sua partitura.
A partitura que você toca é tributária de um instrumento, e não de outro instrumento,
Você quer ser tal instrumento ou você quer ser, no mesmo tempo, no mesmo espaço e em todas as Dimensões, o conjunto de instrumentos?
Pondo fim a toda barreira, a todo limite.

Nenhuma experiência será, jamais, útil ao Absoluto, mas ela continua e permanece útil àquele que toca a própria partitura, Ilusória ou religada.
O Absoluto é a Liberdade total, mas a Liberdade dá medo, porque a Liberdade é, justamente, o que é Desconhecido.

Enquanto você reivindica a Liberdade em qualquer confinamento, você mente a si mesmo.
E, enquanto há mentira, a Verdade não pode estar.

Você não pode, portanto, pretender supor ou imaginar que o Absoluto seja a FONTE.
O Absoluto é a FONTE, mas é bem mais do que a FONTE, porque o Absoluto não tem nem origem, nem fim, nem localização, nem não localização.
A Vibração, a Consciência é Vibração, isso lhes foi dito, que permite viver, conscientizar-se das rodas de energia (as lâmpadas), do despertar do Kundalini e, mesmo, da percepção da Onda de Vida.
Mas, enquanto você percebe, você não é o que é percebido.

O Absoluto é a instalação no percebido, e não a percepção.
É o momento em que não há mais qualquer distância, qualquer suposição sobre o Absoluto, porque o limitado, o ego, como o Si, podem apenas representar-se a Verdade.
Mas toda representação será, sempre, apenas um espetáculo, uma projeção, uma ilusão a mais, mais ou menos palpável, mais ou menos aproximadora, que dá um sentimento mais ou menos real, mas não é o Absoluto.

Independentemente do testemunho e do marcador do Absoluto, ou seja, a Onda de Vida e seus efeitos sobre o êxtase ou o íntase, há, também, outro marcador, que se situa na Consciência que desemboca na não consciência.
É, justamente, o momento em que não há mais questão, porque a própria questão é concebida como ilusória, tanto quanto minha resposta.

Enquanto vocês pronunciam palavras e eu pronuncio palavras, há ilusão.
Mas essas ilusões serão, em definitivo, menos tenazes do que aquelas que estavam aí antes de nossas conversas.

Não é, portanto, um jogo estéril, mas é, efetivamente, uma prática, no sentido o mais nobre.
Essa prática, que pode ser julgada pelo ego como intelectual, vai levá-los, em sua velocidade, a realizar o estado que foi descrito quando da questão anterior.

Nada suponha do Absoluto, porque tudo o que você supor poderá apenas ser estabelecido através de sua experiência e seu conhecido.
Nada projete sobre o Absoluto, porque projetar nele o que quer que seja é, já, dele afastar-se.
O Absoluto não pode ser conhecido, ele não pode ser formulado, ele não pode ser Vibrado, ele não pode ser posto em palavras.

Em contrapartida, é possível utilizar Vibração e palavras para apreender o que ele não é.
Naquele momento, há uma espécie de aproximação que se efetua: é essa fase final.

Nada supor é, também, nada fazer, nada empreender, porque tudo o que for feito ou empreendido colocá-los-á na distância do Absoluto que, eu os lembro, está sempre aí.

Se há resistências ou freios, olhem-nos, e é tudo: deixem-nos passar, nada façam.

É claro, vocês podem, sempre, facilitar as condições iniciais (se se pode dizê-lo), por tudo o que lhes é agradável.
Mas não se percam no que é agradável, não façam disso um objetivo.

Praticar um yoga para, simplesmente, estar bem, não os levará, jamais, ao Absoluto.
Mas estejam conscientes de que estar bem lhes permite instalar-se numa receptividade, se se pode dizê-lo, maior.

Não façam das palavras, tampouco, uma finalidade.
Não façam das Vibrações, tampouco, uma finalidade, mas, efetivamente, antes, meios e ferramentas para aproximá-los do que vocês não conhecem e que, no entanto, é claro, é sua natureza.
Isso exige, da parte de vocês, e isso exige, de sua parte, uma honestidade, uma integridade, uma Humildade, uma Simplicidade, isso vocês sabem, mas, sobretudo, uma Transparência, porque não pode haver transcendência sem Transparência.

A Transparência é criada por KI-RIS-TI, pelo Duplo, pela União Mística.
Um opaco, resistente: o corpo, a identidade, o ego, o Si, reencontra a Transparência do Fogo.
Desse reencontro resulta a Transparência.
A Transparência é nada parar, nada reter do que pode passar (seja um pensamento, seja uma emoção, seja um sintoma do corpo, seja uma relação): nada fixem, permaneçam fluidos.
Observem, se quiserem, mas vocês não são a emoção, não são o pensamento, não são a relação, não são o corpo.
Deixem fazer.
É o que eu posso dizer.

Sem nada rejeitar: não é porque você rejeita um pensamento que ele vai desaparecer.
Em contrapartida, se você o olha passar, sem ali prender-se, ele desaparecerá, é toda a diferença.

Questão: a partir do momento em que eu aceito que não sou tudo o que eu conhecia de meu eu e do Si, de qual abertura, além de minha consciência atual, tenho necessidade (fora deixar agir a Onda de Vida e o Manto Azul da Graça) para bascular no Absoluto (além do «eu sou»)?
 
Nada mais, e uma única coisa em relação ao que você disse: aceitar que você nada É de tudo o que você conhece, é uma primeira etapa.

Mas você tem pensado em refutá-lo?
Não é porque você diz, unicamente: «eu não sou esse corpo», que você vive o Absoluto.
Refutar o «eu não sou esse corpo» está além da aceitação.
Não é um jogo de palavras, é uma realidade da consciência.

A consciência que o conduz, se se pode dizê-lo, a deixar exprimir-se e imprimir-se o Absoluto, é uma refutação de tudo o que você conhece e não, simplesmente, aceitar a negação do que você conhece.
No ato de aceitação do que você não É não há refutação, há, portanto, ainda, uma distância.
A refutação, em contrapartida, do que você não é, está além da aceitação.
A refutação é um ato ativo, a aceitação é um ato que eu poderia qualificar de passivo.
Há, portanto, uma fase preliminar ativa, essa faze é conduzida pela própria consciência, do ego ou do Si.
A refutação é, portanto, uma dinâmica.

Como eu o disse, é uma investigação.
Essa investigação não é um jogo do mental, mas, efetivamente, um exercício (não gosto dessa palavra) espiritual.

A partir do instante em que a investigação é realizada, ela desemboca sobre o que?
Sobre uma identificação.
A desidentificação pela refutação vai, portanto, conduzi-lo, sem esforço, sem nada fazer, a ser Absoluto.

A espontaneidade acompanha a Transparência.
A espontaneidade é a ausência de reflexão, o que não quer dizer fazer não importa o que, mas fazer ou ser o que é independente de toda referência a um passado e, portanto, a uma experiência passada.

É o Caminho do Coração, porque o Coração não engana, jamais, contrariamente ao mental.
Eu não falo da intuição, porque a intuição faz, sempre, referência ao que é bom ou mau, para você.
Nós estamos além do que é bom e do que é mau.
O bom e o mau, para você, essa intuição e esse discernimento, de que gargarejam seres ditos espirituais, é uma ilusão a mais.

A espontaneidade resulta da Transparência.
Há, portanto, naquele momento, de algum modo, uma espécie de perfuração do Coração, de trás para frente, e da frente para trás.
O fato de ser perfurado põe em ressonância, bem além do que é percebido no corpo, Transparência e espontaneidade, que desvia, literalmente, a experiência passada e, portanto, o mental.
Isso se chama, também, a Doação de Si ou o Abandono do Si.
Isso fará, eu creio, o objeto de um desenvolvimento por uma Consciência, se se pode dizer, mais qualificada do que eu (ndr: ver em nosso site a intervenção de ANAEL, de 9 de abril).

Aí também, nada há, portanto, a fazer, mas, efetivamente, a deixar fazer.
Mesmo se haja um lado ativo na refutação, depois, convém deixar fazer, porque você nada pode fazer, nada empreender, para conhecer o que lhe é Desconhecido.
Você pode apenas passar de um ao outro, mas essa passagem não é ilustrada por algo que lhe permitiria passar: é, portanto, efetivamente, uma transcendência, e não uma transformação.
Há, portanto, efetivamente, essa investigação a realizar.

Uma vez a investigação realizada, deixem ser e deixem fazer.
A investigação desemboca, sistematicamente, no que poderia ser nomeado um paradoxo, entre neant e plenitude, numa interrogação, que eu qualificaria de final, interrogação final que põe fim a toda interrogação e a toda questão.
É naquele momento que é percebida a absurdidade total do ego e do Si, não antes.

Questão: gostaria de estabilizar o estado de não observação mais do que apenas um pequeno instante. Como?

Simplesmente, parando de querer observar, de maneira incessante, todas as coisas.
Fixe-se no próprio mecanismo da observação e não no que é observado.

Quem é que observa?
Onde está o observador?
São seus olhos que veem?
É essa reflexão?
Onde está situado o observador?
É passar da perspectiva do que é observado para outra perspectiva.

Enquanto há observação do que quer que seja ou de quem quer que seja, o tempo desenrola-se.
E, portanto, há um chamado, através de sua questão, para querer fixar o que não é fixável: o tempo escoa-se.
É, portanto, para você, por essa questão de «quem observa?» (e não: o que é observado?) que nascerá a imobilidade, porque você vai buscar o observador e aperceber-se-á de que não há mais observador do que coisas observadas.
E que o observador é apenas uma projeção, de outra coisa, que está por trás do observador,
Naquele momento, você poderá bascular.
Não antes.

O Si é a observação a mais perfeita da Luz, na qual mecanismos de Consciência e de Vibrações estão presentes, que concorrem para estabelecer a Alegria, que concorrem para estabelecer uma satisfação, que permitem crer que há uma investigação que foi consumada, concluída e realizada.

É preciso superar isso e ir além disso.
O melhor modo, efetivamente, é nada fazer, deixar fazer.
E sair, mesmo, da dinâmica aparente da observação, do que é observado, do próprio observador.
Porque, quem está por trás de tudo isso?
Ou, antes: o que está por trás de tudo isso?

Enquanto você observa, você não é o observador.
Enquanto você é o observador, você não é o que está por trás do observador.
Investigar sobre isso é uma prática, essencial.
Dessa investigação, realizada honestamente, decorrerá a fase final, decorrerá, também, a Onda de Vida e a permeabilidade das rodas (dos chacras) para a Onda de Vida.

Não se ocupe da Onda de Vida, você não pode nem dominá-la, nem controlá-la, nem dirigi-la.
Você vai, portanto, observá-la.
E você vai colocar-se, portanto, do ponto de vista do observador, que vai colocar-se a questão: é bem, é mal?
Enquanto você joga esse jogo, o êxtase não pode nascer.

Vem um momento em que você apreende que não pode influenciar, de modo algum, na Onda de Vida, mas você continua observador.
Coloque-se, então, a questão de «o que é que é observado?”», de «quem é o observador?» e você se tornará a Onda de Vida, deixando nascer, então, o êxtase, marcador indizível do Absoluto.

O que há a estabilizar é o que já está estabilizado e que jamais se moveu, que jamais desapareceu.
É, muito exatamente, o Absoluto: aí, onde não há mais observador, onde não há mais observado e onde não há mais, tampouco, o eu se tem por trás do observador, porque o Absoluto é, ao mesmo tempo, o observado, o observador e o que há por trás do observador.
Aí também, não há mais distância, nem diferença.

Não temos mais perguntas, agradecemos.

Então, eu nos proponho pôr, de maneira tran, um termo em nossas conversas.
Eu deixarei o mais qualificado do que eu exprimir o que representam essa Doação de Si e esse Abandono do Si.

Eu intervirei em outro momento, em seu caminho para essa realização.
Resta-lhes ler o que eu lhes disse.
Não façam disso uma palavra de certeza ou de evangelho.
Tentem ver o que é exato, o que não é exato.
Não num aspecto discriminante, mas, do mesmo modo que eu o exprimi, em forma de investigação.

Eu darei as instruções, dentro de poucos dias, que nos permitirão concluir essa conversa, a fim de ir ao Princípio e à própria Essência do que foi dito, ou seja, ir além do diálogo, além do símbolo para, de algum modo, reunir os três elementos na mesma indizível Verdade do Absoluto.

Eu rendo Graças por sua escuta.
E eu rendo Graças a vocês, por terem suportado e portado as palavras que eu tinha a dar-lhes.

Já que eu devo nomear-me, BIDI saúda-os e lhes diz, em seu tempo, até breve.

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2 comentários:

  1. A história é, de algum modo, o esqueleto do que resta da vida. As carnes partiram. Resta algo que está congelado. Resta algo que não participa da Vida. Hoje, é-lhe solicitado ser a Vida. O Apelo da Luz faz ressoar, em você, não mais a causalidade, mas, efetivamente, a sede de Absoluto <> Certamente, em momentos-chave, foi oportuno que lhes dessem (ou que lhes fosse dado, uma vez que eu não participei) certo número de elementos concernentes à história. Simplesmente, para mostrar-lhes e demonstrar-lhes a qual ponto a história pode ser deformada, arranjada, desviada e ser agenciada de tal maneira que ela os desviará, sempre, da Verdade. Porque elas (essas histórias) arrastam-nos a crer em histórias, e não em vocês <> A história é apenas o álibi que é fornecido à vida que recusa conhecer-se. A história é apenas uma segunda opção que quer dar, ao mental, a certeza de que ela pode explicar seu presente pelo passado <> É claro, aqueles que têm tendência a querer que a história repita-se e não conduza ao fim da história vão criar, de algum modo, cerimônias, comemorações, princípios de aniversários, que vão, portanto, manter, de algum modo, o peso do passado em seu próprio presente <> É preciso, portanto, efetivamente, descondicionar, desempoeirar, eliminar, refutar tudo o que não é o Instante. O Absoluto está presente apenas no Instante. O único modo de encontrá-lo – o único modo de manifestá-lo – é viver, inteiramente, o Instante <> Saiam, portanto, da história. Saiam, portanto, de toda história, porque vocês não são uma história, qualquer história. Manter a história, manter uma lenda pessoal afasta-os, de maneira importante, do Absoluto e da Verdade <> O único tédio é aqui. Tudo os aborrece: as necessidades fisiológicas, a necessidade de ganhar sua vida, a necessidade de manter e de portar sua consciência, permanentemente, sobre um corpo, sobre relações, que passam por ferramentas incompletas, chamadas a linguagem <> Vocês não podem ver o que vocês São. Vocês podem apenas ver o que vocês não são e, portanto, refutar tudo o que veem no que vocês não são <> Ninguém lhes pede para aderir ao que vocês não podem aderir. Apenas vocês é que podem testemunhar a si mesmos, além do testemunho do objeto, além do observador e do observado e além de toda projeção não importa de qual palavra <> A mais irresistível das crenças: você mesmo. A crença em si mesmo é o freio o mais potente <> A melhor atitude, é claro, é a espontaneidade da criança. É aquela que está, totalmente, imersa na experiência. Sem julgamento, sem ponto de referência, sem projeção <> O sono, a investigação, a compreensão do que representa o testemunho, o testemunho, o sujeito, o objeto, o experimentador e o que é experimentado inscrevem-se, em definitivo, numa futilidade. Aceitar essa futilidade é, já, um grande passo. Não de vocês, mas do Absoluto para vocês <> Porque, se você está vazio de si mesmo, você pode, então, estar pleno do que você É <> O ponto de vista no qual você está deve desaparecer, ele deve aniquilar-se <> Enquanto você percebe, você não é o que é percebido <> O Absoluto é, ao mesmo tempo, o observado, o observador e o que há por trás do observador. Aí também, não há mais distância, nem diferença.

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  2. "Hoje, é-lhe solicitado ser a Vida.
    O apelo da Luz faz ressoar, em você, não mais a causalidade, mas efetivamente, a sede de Absoluto.
    "Colocar-se como Absoluto - ousar colocar-se assim - vai por fim, de maneira extremamente rápida ( devido a própria investigação sobre o que é o Si, sobre o que é o ego e, portanto, sobre o que não é o Absoluto ), vai conduzi-los às portas do que o ego chama o << neant >> e portanto, a experimentar e a viver a experiência que é Absoluta.
    "Nesse estado de Vacuidade - que alguns movimentos buscaram, que algumas filosofias buscaram - instala-se o Absoluto.
    Portanto, você apreendeu, e viveu, e aceitou que nada há a procurar, nada há a encontrar. Esse neant, que não é um, é, irremediavelmente, o fim do ego.
    "Há portanto, um processo de desidentificação, uma morte no sentido simbólico, de tudo o que não é Verdadeiro.
    É essa fase que você vive.
    "Não se trata, absolutamente, de uma negação da vida, mas, bem mais, de uma entrada na Vida e que, com extrema rapidez, os processos em curso, atualmente serão seus.
    "Aproveite, se eu posso exprimir-me assim, dessa Vacuidade que é, de algum modo, uma antecâmara do Absoluto. Porque se você está vazio de si mesmo, você pode então, estar pleno do que você É.
    "A melhor atitude, é claro, é a espontaneidade da criança. É aquela que está, totalmente, imersa na experiência. Sem julgamento, sem ponto de referência, sem projeção.
    É a você que cabe criar as circunstâncias preliminares ao Absoluto.
    "O que você vive não é uma espera, o que você vive não é um vazio ou um pleno, são os dois.
    É nessa fase que a Onda de Vida pode criar sua Verdade, porque você É a Onda de Vida.
    "Então, aproveite e desfrute dessa fase, porque ela é prelúdio ao Casamento Místico."

    "Deixe Fazer, Totalmente."

    "Eu intervirei em outro momento, em seu caminho para essa Realização."


    Rendo Graças.
    Lys

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